Emissões de gases de efeito estufa do Bitcoin

Fotografia de tela de computador com dados sobre criptomoedas
Criptomoedas como o Bitcoin respondem por uma quantidade significativa de emissões de gases de efeito estufa. Estudo de cientistas de universidades da Alemanha e dos Estados Unidos analisou a pegada de carbono da moeda Bitcoin, estimando que ela corresponde à pegada de carbono de países como a Jordânia e o Sri Lanka.

Meios de troca virtuais, as criptomoedas são usualmente baseados em uma tecnologia chamada de blockchain, no qual todo o registro de transações da moeda ocorre de modo distribuído. O Bitcoin foi a primeira, criada em 2009. As transações e troca de propriedade se dão exclusivamente no ambiente digital.

Desde o lançamento do Bitcoin, verificou-se um forte crescimento na quantidade de criptomoedas existentes, e suas redes passaram a exigir capacidades de computação cada vez maiores. Apesar de dispensarem um suporte físico, o uso e manipulação delas demanda grandes quantidades de energia.

Pesquisas anteriores buscaram calcular as emissões de gases de efeito estufa associadas às criptomoedas. Todavia, segundo os cientistas, elas apresentavam um caráter aproximativo. Nesse sentido, eles focaram no uso da Bitcoin, realizando um levantamento detalhado de sua pegada de carbono.

O estudo estimou a quantidade de energia utilizada para uso do Bitcoin. Foram analisados os dados disponíveis dos três fabricantes que controlam o mercado do hardware que serve de base para o mercado de criptomoedas. E também fontes de informação públicas de estatísticas de internautas envolvidos nas operações de Bitcoin.

O resultado do estudo mostrou que o consumo anual de eletricidade pelo Bitcoin era de aproximadamente 46 TWh. A fim de projetar as emissões de CO2 ligadas à produção da energia consumida, os cientistas identificaram os endereços IP individuais dos internautas.

Localizaram 68% da energia da computação em rede Bitcoin nos países asiáticos, 17% nos países europeus e 15% na América do Norte. Considerando informações sobre a intensidade de carbono da geração de energia nos diferentes países, eles calcularam a pegada de carbono.

A estimativa indicou que o sistema da Bitcoin está ligado à emissões anuais entre 22 e 22,9 milhões de toneladas de CO2. O valor é um pouco maior do que as emissões totais anuais de gases de efeito estufa do estado do Acre.

Para os cientistas, o volume de emissões associado às criptomoedas é significativo. Vale à pena planejar medidas de regulação de seu uso, como, por exemplo, restrições em países nos quais a geração de energia seja particularmente intensiva em carbono. Ou então vincular as operações a sistemas de energia renovável.


Fonte: Universidade Técnica de Munique
Mais informações: Stoll, C., Klaaßen, L., & Gallersdörfer, U. (2019). The Carbon Footprint of Bitcoin. Joule.
Imagem: Unsplash/ Chris Liverani

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