Avaliação do ciclo de carbono do oceano

Fotografia aérea de onda na superfície do mar

Processos físicos e a atividade de organismos marinhos cumpre um papel fundamental no sequestro de carbono pelos oceanos, indicou estudo de cientistas de universidades da Austrália, dos Estados Unidos e da França. A absorção de carbono da atmosfera pelo oceano constitui um dos processos mais importantes do sistema climático terrestre.

Principal gás de efeito estufa, o dióxido de carbono - CO2 - da atmosfera é capturado pelo fitoplâncton do oceano. Essas microscópicas plantas marinhas realizam fotossíntese, absorvendo o gás dissolvido nas camadas superficiais de água.

Quando o fitoplâncton morre e, sob a influência da gravidade, afunda até o fundo do oceano, ele leva consigo o carbono absorvido. O processo é conhecido como "bomba biológica" de sequestro de CO2 atmosférico.

A absorção de carbono pelo oceano tem sido fundamental para limitar o aquecimento global. Parte das emissões humanas de CO2 acaba sendo absorvida pelo oceano, diminuindo a taxa de aumento de suas concentrações atmosféricas. Dessa forma, diminui também a taxa de intensificação do efeito estufa e do aquecimento.

No entanto, o processo da "bomba biológica" explicava somente aproximadamente metade do carbono registrado nos oceanos. Outros processos deveriam contribuir para o sequestro do CO2. A fim de caracterizar melhor o conjunto de processos, os cientistas revisaram e reuniram dados da pesquisa científica sobre o tema.

A partir daí, desenvolveram um modelo computacional integrando os diversos componentes do fluxo de carbono dos oceanos. Além do papel do fitoplâncton, eles incluíram a influência da mistura das águas de camadas superficiais e profundas do oceano pelo vento, a influência das correntes oceânicas, e o transporte biológico via animais.

A ilustração mostra o ciclo de carbono do oceano.
O tempo que o carbono permanece armazenado está
relacionado com a profundidade. Quanto mais profunda,
maior o tempo em que o carbono permanecerá armazenado.
Fonte: University of Rochester/ Michael Osadciw.


O último caso envolve a cadeia alimentar marinha. Por exemplo, quando organismos marinhos - zooplâncton ou peixes - se alimentam do fitoplâncton em camadas de águas superficiais, e depois migram para camadas mais profundas, eliminando parte do carbono nas fezes.

O estudo calculou a quantidade de carbono transportado da superfícies para camadas profundas do oceano por meio desse novo conjunto de processos. Ele teria um papel tão importante quanto o da "bomba biológica", armazenando volumes semelhantes de carbono.

O avanço no conhecimento e nos modelos computacionais auxiliará na compreensão de como o aquecimento global pode afetar o fluxo de carbono do oceano. As alterações introduzidas pelo aquecimento global no oceano - como o aumento da temperatura ou a redução da mistura de camadas de água - podem afetar o sequestro e transporte de carbono.

Nesse caso, o oceano perderá a capacidade de minimizar o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 provocada pelas emissões humanas. Com isso, a taxa de aquecimento - atualmente sem precedentes na história recente do planeta - se aceleraria.


Fonte
: Universidade de Rochester e Universidade da Tasmania
Mais informações: Boyd, Philip W., et al. "Multi-faceted particle pumps drive carbon sequestration in the ocean." Nature 568.7752 (2019): 327.
Imagem: Unsplash/ Michael Olsen

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