A capacidade de sequestrar carbono dos ecossistemas florestais não crescerá em um futuro de aquecimento global, concluiu estudo de um grupo internacional de cientistas. Se condições mais quentes por um lado podem estimular o crescimento, por outro lado também impactam a longevidade das árvores.
As mudanças em curso no sistema climático favorecem o crescimento de plantas. Temperaturas mais altas e a fertilização pelo dióxido de carbono - CO2 - podem levar a um desenvolvimento mais rápido das árvores. A suposição era de que, com isso, os ecossistemas florestais absorvem quantidades maiores de CO2 da atmosfera, contribuindo para mitigar o aquecimento global.
Todavia, o estudo ressaltou que ainda persistiam dúvidas sobre a relação entre a velocidade de crescimento e a longevidade das árvores. A suposição de que os ecossistemas florestais absorverão mais CO2 tem validade se se mantiverem os níveis de longevidade atuais.
Mas se as árvores passarem a viver menos tempo, representaria uma queda na quantidade de CO2 sequestrado. Além disso, e para complicar o quadro um pouco mais, espécies que apresentam taxas de crescimento menos acelerado em geral apresentam maior densidade da madeira. Absorvem, portanto, mais carbono.
Para verificar a hipótese de que o crescimento rápido trará impacto para a longevidade dos ecossistemas florestais, os cientistas analisaram anéis de árvores de centenas de exemplares de duas espécies de coníferas. Eles foram obtidos de locais não perturbados pelas atividades humanas, em um local na Espanha e outro na Rússia.
Através da análise dos anéis de árvores, o estudo reconstruiu as condições ambientais e de crescimento individual nos últimos 1000 e 2000 anos. Apesar de específicos em termos de local e de espécies, os resultados sugeriram ser improvável que o crescimento acelerado de árvores leve a maior sequestro de carbono - e, consequentemente, à mitigação do aquecimento global.
Os cientistas advertiram contra a suposição de associar as maiores taxas de crescimento a um maior sequestro de carbono pelos ecossistemas florestais. É fundamental incluir a vida e alterações na demografia das populações de árvores, o que interfere na absorção do CO2 atmosférico.
Em particular, o crescimento mais rápido dos ecossistemas - maior produtividade - poderá reduzir a longevidade das plantas. Assim, cresce a rotatividade de árvores individuais, e o tempo de residência do carbono se torna mais curto.
Com isso, não se deve considerar que os ecossistema florestais elevarão a quantidade de carbono absorvida no futuro. É melhor não contar com a natureza.
Mais informações: Ulf Büntgen et al. ‘Limited capacity of tree growth to mitigate the global greenhouse effect under predicted warming.’ Nature Communications (2019).
Imagem: Unsplash/ Frédéric Perez
As mudanças em curso no sistema climático favorecem o crescimento de plantas. Temperaturas mais altas e a fertilização pelo dióxido de carbono - CO2 - podem levar a um desenvolvimento mais rápido das árvores. A suposição era de que, com isso, os ecossistemas florestais absorvem quantidades maiores de CO2 da atmosfera, contribuindo para mitigar o aquecimento global.
Todavia, o estudo ressaltou que ainda persistiam dúvidas sobre a relação entre a velocidade de crescimento e a longevidade das árvores. A suposição de que os ecossistemas florestais absorverão mais CO2 tem validade se se mantiverem os níveis de longevidade atuais.
Mas se as árvores passarem a viver menos tempo, representaria uma queda na quantidade de CO2 sequestrado. Além disso, e para complicar o quadro um pouco mais, espécies que apresentam taxas de crescimento menos acelerado em geral apresentam maior densidade da madeira. Absorvem, portanto, mais carbono.
Para verificar a hipótese de que o crescimento rápido trará impacto para a longevidade dos ecossistemas florestais, os cientistas analisaram anéis de árvores de centenas de exemplares de duas espécies de coníferas. Eles foram obtidos de locais não perturbados pelas atividades humanas, em um local na Espanha e outro na Rússia.
Através da análise dos anéis de árvores, o estudo reconstruiu as condições ambientais e de crescimento individual nos últimos 1000 e 2000 anos. Apesar de específicos em termos de local e de espécies, os resultados sugeriram ser improvável que o crescimento acelerado de árvores leve a maior sequestro de carbono - e, consequentemente, à mitigação do aquecimento global.
Os cientistas advertiram contra a suposição de associar as maiores taxas de crescimento a um maior sequestro de carbono pelos ecossistemas florestais. É fundamental incluir a vida e alterações na demografia das populações de árvores, o que interfere na absorção do CO2 atmosférico.
Em particular, o crescimento mais rápido dos ecossistemas - maior produtividade - poderá reduzir a longevidade das plantas. Assim, cresce a rotatividade de árvores individuais, e o tempo de residência do carbono se torna mais curto.
Com isso, não se deve considerar que os ecossistema florestais elevarão a quantidade de carbono absorvida no futuro. É melhor não contar com a natureza.
Mais informações: Ulf Büntgen et al. ‘Limited capacity of tree growth to mitigate the global greenhouse effect under predicted warming.’ Nature Communications (2019).
Imagem: Unsplash/ Frédéric Perez

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