A poluição originada de incêndios tem efeitos negativos sobre os ecossistemas naturais e a produção agrícola mundial, identificou estudo de cientistas da China e do Reino Unido. Eles podem prejudicar o crescimento da vegetação e dos cultivos a centenas de quilômetros de distância.
Queimadas e incêndios emitem poluentes atmosféricos de vida curta, incluindo o gás ozônio - O3 - e material particulado - aerossóis. Esses poluentes impactam a qualidade do ar no local e em regiões próximas. Mas também contribuem para a poluição da atmosfera em escala global.
Segundo o estudo, os incêndios respondem por 3,5% do total de ozônio presente na troposfera - a camada inferior da atmosfera - e por 16% da profundidade óptica total de aerossóis. Regionalmente, a poluição causada pelos incêndios é ainda mais significativa.
No entanto, em geral a pesquisa se concentrava sobre a influência de queimadas e incêndios na saúde pública. Os impactos ecológicos e no ciclo do carbono não haviam sido sistematicamente avaliados. Mas essa questão tem importância porque o ozônio e os aerossóis interferem na produtividade das plantas.
De um lado, o ozônio prejudica a vegetação porque consistem em um gás fitotóxico. Ele reduz a fotossíntese realizada pelas plantas. De outro lado, os aerossóis tem o potencial de estimular a fotossíntese por meio do aumento da radiação difusa.
Para investigar, em escalas regionais e global, os impactos da poluição de ozônio e aerossóis provocados de incêndios, os cientistas utilizaram um conjunto de modelos computacionais e dados de monitoramento. Eles analisaram os efeitos separados e combinados de poluentes de incêndios ocorridos entre os anos de 2002 e 2011.
Os resultados indicaram uma grande variação regional na concentração atmosférica de ozônio devido às queimadas e incêndios. O maior aumento foi observado na África do Sul, onde o fogo leva a um crescimento de cerca de 21% no ozônio.
A média anual também registra elevações do ozônio no centro da América do Sul, na Indonésia, e em partes da Ásia e da América do Norte. As perturbações foram mais intensas durante as estações de fogo das respectivas regiões.
Em escala global, o estudo observou que em mais de dois terços da superfície continental, os incêndios levam a concentração de ozônio a subir.
Ao mesmo tempo, os aerossóis também sobem, especialmente na região da África do Sul, na Amazônia e na Indonésia. Os efeitos também se fazem sentir na escala global.
Ao combinar os efeitos do ozônio e dos aerossóis, o estudo sugeriu um perda na produtividade das plantas em escala global. Os danos não se limitariam aos locais onde ocorrem os incêndios, mas também nas áreas vizinhas, nas quais o vento dispersa a poluição.
Estimou-se que a produção primária líquida global se reduziu em 0,6% ao ano, durante o período avaliado, por causa da poluição por fogo. Em comparação, as estimativas do impacto das secas indicam uma queda de 0,1% ao ano no mesmo período.
As consequências de incêndios e queimadas prejudicam a vegetação e os cultivos, perturbando o sequestro de carbono pelos ecossistemas terrestres.
Além disso, em resposta ao aquecimento global, a tendência é de intensificação de queimadas e incêndios. Junto com a maior poluição por ozônio, a produtividade da vegetação em todo o mundo poderá ser ainda mais prejudicada.
Fonte: Universidade de Exeter
Mais informações: Yue, X., & Unger, N. (2018). Fire air pollution reduces global terrestrial productivity. Nature communications, 9(1), 5413.
Imagem: Flickr/ Umbrios
Queimadas e incêndios emitem poluentes atmosféricos de vida curta, incluindo o gás ozônio - O3 - e material particulado - aerossóis. Esses poluentes impactam a qualidade do ar no local e em regiões próximas. Mas também contribuem para a poluição da atmosfera em escala global.
Segundo o estudo, os incêndios respondem por 3,5% do total de ozônio presente na troposfera - a camada inferior da atmosfera - e por 16% da profundidade óptica total de aerossóis. Regionalmente, a poluição causada pelos incêndios é ainda mais significativa.
No entanto, em geral a pesquisa se concentrava sobre a influência de queimadas e incêndios na saúde pública. Os impactos ecológicos e no ciclo do carbono não haviam sido sistematicamente avaliados. Mas essa questão tem importância porque o ozônio e os aerossóis interferem na produtividade das plantas.
De um lado, o ozônio prejudica a vegetação porque consistem em um gás fitotóxico. Ele reduz a fotossíntese realizada pelas plantas. De outro lado, os aerossóis tem o potencial de estimular a fotossíntese por meio do aumento da radiação difusa.
Para investigar, em escalas regionais e global, os impactos da poluição de ozônio e aerossóis provocados de incêndios, os cientistas utilizaram um conjunto de modelos computacionais e dados de monitoramento. Eles analisaram os efeitos separados e combinados de poluentes de incêndios ocorridos entre os anos de 2002 e 2011.
Os resultados indicaram uma grande variação regional na concentração atmosférica de ozônio devido às queimadas e incêndios. O maior aumento foi observado na África do Sul, onde o fogo leva a um crescimento de cerca de 21% no ozônio.
A média anual também registra elevações do ozônio no centro da América do Sul, na Indonésia, e em partes da Ásia e da América do Norte. As perturbações foram mais intensas durante as estações de fogo das respectivas regiões.
Em escala global, o estudo observou que em mais de dois terços da superfície continental, os incêndios levam a concentração de ozônio a subir.
Ao mesmo tempo, os aerossóis também sobem, especialmente na região da África do Sul, na Amazônia e na Indonésia. Os efeitos também se fazem sentir na escala global.
Ao combinar os efeitos do ozônio e dos aerossóis, o estudo sugeriu um perda na produtividade das plantas em escala global. Os danos não se limitariam aos locais onde ocorrem os incêndios, mas também nas áreas vizinhas, nas quais o vento dispersa a poluição.
Estimou-se que a produção primária líquida global se reduziu em 0,6% ao ano, durante o período avaliado, por causa da poluição por fogo. Em comparação, as estimativas do impacto das secas indicam uma queda de 0,1% ao ano no mesmo período.
As consequências de incêndios e queimadas prejudicam a vegetação e os cultivos, perturbando o sequestro de carbono pelos ecossistemas terrestres.
Além disso, em resposta ao aquecimento global, a tendência é de intensificação de queimadas e incêndios. Junto com a maior poluição por ozônio, a produtividade da vegetação em todo o mundo poderá ser ainda mais prejudicada.
Fonte: Universidade de Exeter
Mais informações: Yue, X., & Unger, N. (2018). Fire air pollution reduces global terrestrial productivity. Nature communications, 9(1), 5413.
Imagem: Flickr/ Umbrios


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