A grande maioria dos planos de conservação não considera a interferência do aquecimento global na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas e inundações. E diversos ecossistemas e espécies são vulneráveis a esse tipo de evento, alertou estudo de um time de pesquisadores da Austrália e dos Estados Unidos.
Em geral, as pesquisas sobre conservação procuraram compreender como as mudanças climáticas de longo prazo afetarão os sistemas naturais. Segundo o estudo, as pesquisas incluíram o impacto do aumento regional das temperaturas, a modificação nas estações do ano ou o aumento do nível médio do mar.
Todavia, ainda faltavam análises dos impactos da alteração na frequência, distribuição e intensidade de eventos climáticos extremos. Esse tipo de evento climático pode ter trazer maiores consequências ambientais do que a alteração gradual.
O estudo caracteriza como extremos como aqueles eventos climáticos considerados raros ou excepcionais - do ponto de vista estatístico. Eles incluem, entre outros, os ciclones, as inundações, as ondas de calor e as secas.
Como consequência do aquecimento global, em muitas regiões do mundo os eventos climáticos extremos tem se tornado mais frequentes e intensos. A tendência deverá se acelerar à medida que o aquecimento global continue.
Entre as projeções citadas pelo estudo, estão o aumento de precipitações mais intensas no sul da África, secas mais intensas na América Central, no nordeste do Brasil e no Mediterrâneo, e ondas de calor e seca mais freqüentes na Austrália, no norte da África e na América do sul.
Evidências apontam para respostas ecológicas significativas à eventos climáticos extremos em escalas individuais, populacionais e ecossistêmicas. Por exemplo, tartarugas podem alterar o início da maturidade sexual em função de ciclones, secas prolongadas levaram ao colapso de populações de coalas, ou enchentes reduzem a riqueza de espécies de plantas.
Para contribuir com os esforços de conservação frente aos impactos de eventos extremos, os pesquisadores revisaram 519 estudos observacionais, abrangendo o período entre 1941 e 2015. O objetivo foi categorizar e quantificar como aves, mamíferos, peixes, anfíbios, répteis, invertebrados e plantas respondem a a ciclones, secas, inundações, ondas de frio e ondas de calor.
Em 57% do material analisado, a biodiversidade sofreu impactos negativos de eventos extremos. Alguns deles foram prevalentes e duradouros. Foram identificados mais de 100 casos de um declínio maior do que 25% em populações de espécies, e também 31 casos de extirpação local de uma espécie.
Em 38% dos casos, as espécies ou ecossistemas não se recuperaram aos níveis anteriores à perturbação. As plantas registraram a maior proporção de respostas negativas, usualmente na forma de danos estruturais às comunidades, por meio de maiores taxas de mortalidade e da perda de diversidade.
Os répteis e anfíbios também apresentaram alta proporção de resposta negativa a eventos climáticos extremos. Para os répteis, os impactos mais comuns foram o declínio na fecundidade após ciclones e a redução da condição corporal após secas. Os anfíbios sofreram quedas de população após ciclones.
Em termos de distribuição geográfica, as espécies localizadas na região costeira se mostraram mais vulneráveis a impactos negativos. No entanto, em ecossistemas terrestres se verificaram numerosos grandes declínios populacionais após eventos de seca.
Por outro lado, o estudo encontrou um total de 21% de relatos de impactos positivos. Isso aponta que os distúrbios naturais podem desempenhar um papel na manutenção da estrutura e da função de muitos ecossistemas.
As avaliações de longo prazo revelaram que os eventos climáticos extremos tem o potencial de alterar significativamente a estrutura dos sistemas naturais, bem como interferir no ciclo de vida de algumas espécies.
Prever a ocorrência de eventos extremos e seus efeitos continuará sendo um desafio, ressaltaram os pesquisadores. Mas planos de conservação e avaliações de vulnerabilidade às mudanças climáticas devem incorporar as possíveis influências de extremos climáticos.
Dessa forma, as medidas de conservação irão considerar toda a gama possível de impactos das mudanças climáticas, tornando-se mais efetivas.
Mais informações: Maxwell, Sean L., et al. "Conservation implications of ecological responses to extreme weather and climate events." Diversity and Distributions (2018).
Imagem: Unsplash/ Dhruva Reddy
Em geral, as pesquisas sobre conservação procuraram compreender como as mudanças climáticas de longo prazo afetarão os sistemas naturais. Segundo o estudo, as pesquisas incluíram o impacto do aumento regional das temperaturas, a modificação nas estações do ano ou o aumento do nível médio do mar.
Todavia, ainda faltavam análises dos impactos da alteração na frequência, distribuição e intensidade de eventos climáticos extremos. Esse tipo de evento climático pode ter trazer maiores consequências ambientais do que a alteração gradual.
O estudo caracteriza como extremos como aqueles eventos climáticos considerados raros ou excepcionais - do ponto de vista estatístico. Eles incluem, entre outros, os ciclones, as inundações, as ondas de calor e as secas.
Como consequência do aquecimento global, em muitas regiões do mundo os eventos climáticos extremos tem se tornado mais frequentes e intensos. A tendência deverá se acelerar à medida que o aquecimento global continue.
Entre as projeções citadas pelo estudo, estão o aumento de precipitações mais intensas no sul da África, secas mais intensas na América Central, no nordeste do Brasil e no Mediterrâneo, e ondas de calor e seca mais freqüentes na Austrália, no norte da África e na América do sul.
Evidências apontam para respostas ecológicas significativas à eventos climáticos extremos em escalas individuais, populacionais e ecossistêmicas. Por exemplo, tartarugas podem alterar o início da maturidade sexual em função de ciclones, secas prolongadas levaram ao colapso de populações de coalas, ou enchentes reduzem a riqueza de espécies de plantas.
Para contribuir com os esforços de conservação frente aos impactos de eventos extremos, os pesquisadores revisaram 519 estudos observacionais, abrangendo o período entre 1941 e 2015. O objetivo foi categorizar e quantificar como aves, mamíferos, peixes, anfíbios, répteis, invertebrados e plantas respondem a a ciclones, secas, inundações, ondas de frio e ondas de calor.
Em 57% do material analisado, a biodiversidade sofreu impactos negativos de eventos extremos. Alguns deles foram prevalentes e duradouros. Foram identificados mais de 100 casos de um declínio maior do que 25% em populações de espécies, e também 31 casos de extirpação local de uma espécie.
Em 38% dos casos, as espécies ou ecossistemas não se recuperaram aos níveis anteriores à perturbação. As plantas registraram a maior proporção de respostas negativas, usualmente na forma de danos estruturais às comunidades, por meio de maiores taxas de mortalidade e da perda de diversidade.
Os répteis e anfíbios também apresentaram alta proporção de resposta negativa a eventos climáticos extremos. Para os répteis, os impactos mais comuns foram o declínio na fecundidade após ciclones e a redução da condição corporal após secas. Os anfíbios sofreram quedas de população após ciclones.
Em termos de distribuição geográfica, as espécies localizadas na região costeira se mostraram mais vulneráveis a impactos negativos. No entanto, em ecossistemas terrestres se verificaram numerosos grandes declínios populacionais após eventos de seca.
Por outro lado, o estudo encontrou um total de 21% de relatos de impactos positivos. Isso aponta que os distúrbios naturais podem desempenhar um papel na manutenção da estrutura e da função de muitos ecossistemas.
As avaliações de longo prazo revelaram que os eventos climáticos extremos tem o potencial de alterar significativamente a estrutura dos sistemas naturais, bem como interferir no ciclo de vida de algumas espécies.
Prever a ocorrência de eventos extremos e seus efeitos continuará sendo um desafio, ressaltaram os pesquisadores. Mas planos de conservação e avaliações de vulnerabilidade às mudanças climáticas devem incorporar as possíveis influências de extremos climáticos.
Dessa forma, as medidas de conservação irão considerar toda a gama possível de impactos das mudanças climáticas, tornando-se mais efetivas.
Mais informações: Maxwell, Sean L., et al. "Conservation implications of ecological responses to extreme weather and climate events." Diversity and Distributions (2018).
Imagem: Unsplash/ Dhruva Reddy


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