Aquecimento poderá elevar a carga de hospitalização

A carga de hospitalização ligada à da exposição ao calor irá provavelmente subir no Brasil em um contexto de aquecimento global, apontou artigo de um time de pesquisadores da Austrália, do Brasil e da China.

Nos últimos trinta anos, o Brasil observou uma evolução significativa nos indicadores da saúde pública. De acordo com o estudo, a taxa de mortalidade padronizada por idade e os anos de vida perdidos caíram respectivamente 34% e 41%.

Os eventos climáticos constituem um elemento de risco e podem influenciar nos resultados da saúde. Um desses eventos são as altas temperaturas e ondas de calor. A exposição ao calor extremo tem sido associada à hospitalização.

A frequência e intensidade de ondas de calor está se modificando em resposta ao aquecimento global. No Brasil, desde 1910 a temperatura média subiu 25% mais rápido do que a média global. O país poderá sofrer as consequências do aquecimento.

Todavia, existia pouca informação disponível sobre os efeitos à saúde da exposição ao calor no Brasil, levando-se em consideração as variações geográficas, climáticas e econômicas de cada região.

O estudo investigou dados de hospitalização do Sistema Único de Saúde e das temperaturas máximas e mínimas diárias. Foram identificadas as variações demográficas, geográficas e temporais entre a exposição ao calor e o risco de hospitalização durante o verão entre os anos de 2000 e 2015.

Foi identificado que, durante o verão, aproximadamente 6% das hospitalizações brasileiras - ou 132 casos para cada 100.000 habitantes - poderiam ser atribuídas à exposição ao calor. A causa específica de internação se mostrou maior para doenças infecciosas, parasitárias e digestivas.

Isso aponta para a complexa relação entre ondas de calor e as internações hospitalares, incluindo um conjunto complexo de elementos ecológicos e comportamentais. Por exemplo, ambientes mais quentes podem favorecer uma variedade de patógenos e vetores.

Ou o consumo de água fria contaminada ou alimentos não cozidos, em resposta ao calor, estariam ligados à perturbação gastrointestinal ou facilitariam a transmissão de bactérias.

O gráfico traz a associação da exposição ao calor
e a hospitalização, segundo a causa específica.
Fonte: figura 3 do estudo.

A carga de hospitalização variou de acordo com a idade, sexo e região. Crianças e idosos com idades superiores a 80 anos se mostraram mais vulneráveis ao calor extremo. Na faixa da população brasileira idosa, as mulheres estiveram mais vulneráveis ​​à exposição ao calor do que os homens.

Mesmo frente ao relevante crescimento econômico brasileiro registrado entre 2000 e 2015, a relação entre extremos de calor e a hospitalização permaneceu temporalmente inalterada em nível nacional. Em países desenvolvidos, pesquisas apontam para uma redução dos efeitos da exposição ao calor sobre a saúde.

Em um futuro de aquecimento, o estudo ressaltou que o agravamento das ondas de calor implicará em uma elevação na carga de hospitalização no Brasil. Especialmente dada a falta de evidência da implementação de medidas de adaptação térmica em nível nacional. Os aumentos deverão ser maiores para os moradores das regiões norte e sudeste.


Mais informações: Zhao, Qi, et al. "Geographic, Demographic, and Temporal Variations in the Association between Heat Exposure and Hospitalization in Brazil: A Nationwide Study between 2000 and 2015." Environmental health perspectives 127.01 (2019): 017001.
Imagem: Flickr-Agência Brasília/ Tony Winston

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