O oceano interfere na formação de nuvens

O oceano interfere na formação de nuvens, e um passo importante para a compreensão dessa influência foi dado por cientistas de uma universidade do Japão. Eles realizaram um levantamento da emissão de aerossóis pela superfície da água do mar.

Os aerossóis são minúsculas partículas sólidas ou líquidas que ficam suspensas na atmosfera. Eles cumprem basicamente dois papéis no sistema climático. De um lado, alteram o albedo da atmosfera, elevando a quantidade de radiação solar que é refletida de volta ao espaço.

Dessa forma, reduzem a energia absorvida pelo planeta. Atualmente os aerossóis contribuem para a diminuição da taxa de aquecimento global.

O segundo importante papel dos aerossóis é participar para a formação das nuvens. O vapor d'água presente no ar somente se condensa em gotículas quando adere à superfície de uma partícula de aerossol. Assim, eles afetam a formação de nuvens e o processo de precipitação.

Devido às suas características, as nuvens também modificam a troca de energia entre o sistema climático e o espaço. Elas podem refletir a radiação solar de volta ao espaço e também reabsorver a radiação infravermelha, impedindo que ela escape.

Calcula-se que, na soma geral, as nuvens levam a um pequeno resfriamento do sistema climático.

Estima-se que os compostos orgânicos, com origem em organismos vivos - como, por exemplo, a vegetação ou o plâncton marinho - respondem por até 90% do total de aerossóis presentes na atmosfera.

De acordo com o estudo, a superfície do mar é a principal fonte de compostos orgânicos tanto em quantidade quanto em massa. Esse material se dispersa para o ar pela pulverização causada especialmente pelos ventos.

Mas quase nenhuma informação havia sobre a emissão de aerossóis pelos oceanos. Para suprir essa lacuna, o estudo analisou um dos tipos mais comuns de compostos orgânicos liberados pelos oceanos - uma forma de carbono orgânico solúvel em água.

Foram coletadas amostras de água e de ar em uma região do Pacífico durante a primavera, quando ocorre um boom de fitoplâncton marinho. Em laboratório, os cientistas analisaram a composição química dos compostos presentes em cada amostra.

Os resultados apontaram uma grande diferença na característica química dos compostos orgânicos das amostras da água, em comparação com aqueles das amostras do ar. O estudo apontou os aerossóis atravessavam uma alteração em sua composição química depois de emitidos para a atmosfera.

A descoberta tem implicações importantes, uma vez que o aerossol modificado teria como característica suprimir a formação de nuvens.

Os cientistas recomendaram a realização de mais pesquisas, a fim de aprofundar a compreensão de como os oceanos e seus microrganismos interagem com a atmosfera. Essa relação estará sujeita à interferência do aquecimento global.


Fonte: Universidade de Hokkaido
Mais informações: Miyazaki, Y., Yamashita, Y., Kawana, K., Tachibana, E., Kagami, S., Mochida, M., Suzuki, K. and Nishioka, J., 2018. Chemical transfer of dissolved organic matter from surface seawater to sea spray water-soluble organic aerosol in the marine atmosphereScientific reports8(1), p.14861.
Imagem: Universidade de Hokkaido - navio de pesquisa no oceano Pacífico

Comentários