Nenhum modelo climático utilizado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC, na sigla em inglês - conseguiu reproduzir uma alteração climática registrada recentemente na Groenlândia. Isso coloca em dúvida as projeções futuras de derretimento da calota polar, apontou estudo de cientistas de universidades da Bélgica e do Reino Unido.
Desde a década de 1990, pesquisas identificaram um crescimento significativo na formação de sistemas de bloqueio de alta pressão atmosférica sobre a região da Groenlândia durante o verão. Esses sistemas favorecem o movimento de massas de ar subtropicais relativamente quentes, tornando o Tempo mais ensolarado e seco.
O aumento na frequência de sistemas de bloqueio de alta pressão foi indicado como um dos principais contribuintes para a recente aceleração do derretimento da calota polar da Gronelândia.
Os sistemas tem implicações que vão bem além do Ártico. Eles interferem em padrões de larga escala da circulação atmosférica, o que irá influenciar as condições meteorológicas especialmente no norte e oeste da Europa.
Ainda há muito debate no meio científico a respeito das causas por trás da alteração observada na Groenlândia. Busca-se compreender melhor o fenômeno, incluindo, entre outros aspectos, o papel da variabilidade natural e como ele será afetado pelo avanço do aquecimento global.
Os cientistas compararam um conjunto de série de dados do sistema de bloqueio de alta pressão na Groenlândia as simulações de modelos climáticos. Foi avaliado como os modelos simularam as três últimas décadas e quais as projeções da ocorrência de bloqueios até 2100, abrangendo um cenário de médias e outro de altas emissões de gases de efeito estufa.
O estudo mostrou que os modelos climáticos não conseguiam reproduzir o recente aumento do sistema de bloqueio da Groenlândia. As anomalias positivas observadas recentemente estiveram significativamente acima do que o simulado por qualquer um dos modelos, tanto atualmente quanto no futuro.
É possível que o fenômeno esteja parcialmente associado a oscilações naturais do sistema climático. Nesse caso, a frequência dos sistemas de bloqueio na Groenlândia poderá diminuir nas próximas décadas. Segundo o estudo, o fenômeno também reflete a influência do aquecimento global.
Os cientistas ressaltaram que os modelos climáticos atuais apresentam limitações em representar os sistemas de bloqueio da Groenlândia. Com isso, eles também não simulariam realisticamente a circulação atmosférica regional e as condições climatológicas européias.
Além disso, a limitação indica que a perda de massa da calota de polar da Groenlândia poderia estar subestimada por até um fator de 2. Os modelos precisam ser aprimorados, a fim de melhorar a fidelidade com que representam a dinâmica e as alterações do Ártico.
Mais informações: Hanna, E., Fettweis, X., & Hall, R. J. (2018). Brief communication: Recent changes in summer Greenland blocking captured by none of the CMIP5 models. The Cryosphere, 12(10), 3287-3292.
Imagem: Pixabay
Desde a década de 1990, pesquisas identificaram um crescimento significativo na formação de sistemas de bloqueio de alta pressão atmosférica sobre a região da Groenlândia durante o verão. Esses sistemas favorecem o movimento de massas de ar subtropicais relativamente quentes, tornando o Tempo mais ensolarado e seco.
O aumento na frequência de sistemas de bloqueio de alta pressão foi indicado como um dos principais contribuintes para a recente aceleração do derretimento da calota polar da Gronelândia.
Os sistemas tem implicações que vão bem além do Ártico. Eles interferem em padrões de larga escala da circulação atmosférica, o que irá influenciar as condições meteorológicas especialmente no norte e oeste da Europa.
Ainda há muito debate no meio científico a respeito das causas por trás da alteração observada na Groenlândia. Busca-se compreender melhor o fenômeno, incluindo, entre outros aspectos, o papel da variabilidade natural e como ele será afetado pelo avanço do aquecimento global.
Os cientistas compararam um conjunto de série de dados do sistema de bloqueio de alta pressão na Groenlândia as simulações de modelos climáticos. Foi avaliado como os modelos simularam as três últimas décadas e quais as projeções da ocorrência de bloqueios até 2100, abrangendo um cenário de médias e outro de altas emissões de gases de efeito estufa.
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| As linhas verde, azul e vermelho trazem as séries de dados do sistema de bloqueio na Groenlândia. As linhas cinzas apresentam as simulações dos modelos. Fonte: figura 1 do estudo. |
O estudo mostrou que os modelos climáticos não conseguiam reproduzir o recente aumento do sistema de bloqueio da Groenlândia. As anomalias positivas observadas recentemente estiveram significativamente acima do que o simulado por qualquer um dos modelos, tanto atualmente quanto no futuro.
É possível que o fenômeno esteja parcialmente associado a oscilações naturais do sistema climático. Nesse caso, a frequência dos sistemas de bloqueio na Groenlândia poderá diminuir nas próximas décadas. Segundo o estudo, o fenômeno também reflete a influência do aquecimento global.
Os cientistas ressaltaram que os modelos climáticos atuais apresentam limitações em representar os sistemas de bloqueio da Groenlândia. Com isso, eles também não simulariam realisticamente a circulação atmosférica regional e as condições climatológicas européias.
Além disso, a limitação indica que a perda de massa da calota de polar da Groenlândia poderia estar subestimada por até um fator de 2. Os modelos precisam ser aprimorados, a fim de melhorar a fidelidade com que representam a dinâmica e as alterações do Ártico.
Mais informações: Hanna, E., Fettweis, X., & Hall, R. J. (2018). Brief communication: Recent changes in summer Greenland blocking captured by none of the CMIP5 models. The Cryosphere, 12(10), 3287-3292.
Imagem: Pixabay


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