No que diz respeito ao aumento do nível médio do mar, as projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC, na sigla em inglês - tem sido conservadoras, identificou artigo de um grupo de cientistas de universidades dos Estados Unidos e de Singapura.
O início das projeções do aumento do nível médio do mar se deu na passagem entre as décadas de 1970 e 1980. Segundo o artigo, além da influência do aquecimento global, a comunidade científica identificou uma possível instabilidade da calota polar do oeste da Antártica.
O aumento da temperatura das águas e o derretimento de parte da calota polar poderiam levar a uma elevação do nível do mar.
Desde então, várias metodologias foram criadas para realizar projeções do aumento do nível médio do mar. Elas incluem de modelos computacionais baseados em processos a avaliações probabilísticas.
As estimativas médias de aumento do nível até 2100 tem sido relativamente consistentes. No entanto, a faixa correspondente ao limite máximo de quanto o nível poderá subir variou significativamente. Ainda há muita incerteza, não havendo uma melhor metodologia para sua estimativa.
A fim de investigar o desenvolvimento e o estágio atual das projeções do aumento do nível do mar, os cientistas revisaram a literatura científica sobre o tema publicada entre 1983 e 2018. Eles buscaram contextualizar os diversos pressupostos, objetivos ou metodologias por trás das diferenças nas projeções.
O artigo identificou que, na década de 1980, as projeções iniciais consideravam um aumento mínimo do nível médio do mar até 2100 entre 0,43 m a 1,2 m, enquanto a faixa máxima era estimada entre 1,32 m a 1,81 m.
As projeções se reduziram ao longo do tempo. Em 2007, a pesquisa científica projetava um aumento mínimo entre 0,09 m e 0,18 m, e um aumento máximo do nível do mar entre 0,57 m e 0,86 m.
No entanto, desde 2007 as estimativas de aumento do nível do mar voltaram a subir. Atualmente, abrange um crescimento mínimo entre 0,16 m e 0,55 m, e um crescimento máximo de 0,46 m a 2,54 m.
Deve-se ressaltar que as faixas máximas e mínimas do aumento do nível do mar estão associadas aos cenários futuros de emissão de gases de efeito estufa. Valores mínimos dizem respeito à elevação do nível prevista até 2100 em um cenário de baixas emissões. Valores máximos se referem a cenários de altas emissões.
O artigo caracterizou a redução dos valores das projeções como um processo de aprendizagem negativa. Crenças da comunidade científica foram desfeitas com o levantamento de novas informações sobre o comportamento das calotas polares, em especial após a década de 2000.
Nesse sentido, a redução das projeções ocorrida antes de 2007 teria sido um tanto prematura, baseada em pressupostos que se revelaram sem confirmação empírica.
Quando discute o tema do aumento do nível do mar, os cientistas detectaram que o IPCC apresenta projeções mais conservadoras.
No último relatório publicado pela instituição, em 2013, apresentou-se, para o cenário de altas emissões, um aumento provável do nível do mar entre 0,52 m e 0,98 m.
Projeções de inúmeras pesquisas individuais, todavia, apontavam para um crescimento muito maior do que 1 m em um cenário de altas emissões. O conservadorismo do IPCC se faz notar especialmente para o limite máximo de aumento do nível do mar.
A constatação do artigo reforça uma pesquisa anterior, na qual se identificou que as estimativas de aumento do nível médio do mar por membros da comunidade científica eram maiores do que o considerado pelo relatório do IPCC.
O artigo concluiu que entender a história da ciência e do conhecimento produzido contribuiria para a prática da ciência atual. Além disso, é preciso coordenar e integrar esforços para melhorar a compreensão de fatores e processos relacionados ao aumento do nível do mar.
Mais informações: Garner, Andra J., et al. "Evolution of 21st Century Sea‐level Rise Projections." Earth's Future (2018).
Imagem: Unsplash/Thiago Japyassu
O início das projeções do aumento do nível médio do mar se deu na passagem entre as décadas de 1970 e 1980. Segundo o artigo, além da influência do aquecimento global, a comunidade científica identificou uma possível instabilidade da calota polar do oeste da Antártica.
O aumento da temperatura das águas e o derretimento de parte da calota polar poderiam levar a uma elevação do nível do mar.
Desde então, várias metodologias foram criadas para realizar projeções do aumento do nível médio do mar. Elas incluem de modelos computacionais baseados em processos a avaliações probabilísticas.
As estimativas médias de aumento do nível até 2100 tem sido relativamente consistentes. No entanto, a faixa correspondente ao limite máximo de quanto o nível poderá subir variou significativamente. Ainda há muita incerteza, não havendo uma melhor metodologia para sua estimativa.
A fim de investigar o desenvolvimento e o estágio atual das projeções do aumento do nível do mar, os cientistas revisaram a literatura científica sobre o tema publicada entre 1983 e 2018. Eles buscaram contextualizar os diversos pressupostos, objetivos ou metodologias por trás das diferenças nas projeções.
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| Projeções das faixas mínimas (a) e máximas (b) de aumento do nível médio do mar nos últimos 5 relatórios publicados pelo IPCC. Fonte: figura 3 do artigo. |
O artigo identificou que, na década de 1980, as projeções iniciais consideravam um aumento mínimo do nível médio do mar até 2100 entre 0,43 m a 1,2 m, enquanto a faixa máxima era estimada entre 1,32 m a 1,81 m.
As projeções se reduziram ao longo do tempo. Em 2007, a pesquisa científica projetava um aumento mínimo entre 0,09 m e 0,18 m, e um aumento máximo do nível do mar entre 0,57 m e 0,86 m.
No entanto, desde 2007 as estimativas de aumento do nível do mar voltaram a subir. Atualmente, abrange um crescimento mínimo entre 0,16 m e 0,55 m, e um crescimento máximo de 0,46 m a 2,54 m.
Deve-se ressaltar que as faixas máximas e mínimas do aumento do nível do mar estão associadas aos cenários futuros de emissão de gases de efeito estufa. Valores mínimos dizem respeito à elevação do nível prevista até 2100 em um cenário de baixas emissões. Valores máximos se referem a cenários de altas emissões.
O artigo caracterizou a redução dos valores das projeções como um processo de aprendizagem negativa. Crenças da comunidade científica foram desfeitas com o levantamento de novas informações sobre o comportamento das calotas polares, em especial após a década de 2000.
Nesse sentido, a redução das projeções ocorrida antes de 2007 teria sido um tanto prematura, baseada em pressupostos que se revelaram sem confirmação empírica.
Quando discute o tema do aumento do nível do mar, os cientistas detectaram que o IPCC apresenta projeções mais conservadoras.
No último relatório publicado pela instituição, em 2013, apresentou-se, para o cenário de altas emissões, um aumento provável do nível do mar entre 0,52 m e 0,98 m.
Projeções de inúmeras pesquisas individuais, todavia, apontavam para um crescimento muito maior do que 1 m em um cenário de altas emissões. O conservadorismo do IPCC se faz notar especialmente para o limite máximo de aumento do nível do mar.
A constatação do artigo reforça uma pesquisa anterior, na qual se identificou que as estimativas de aumento do nível médio do mar por membros da comunidade científica eram maiores do que o considerado pelo relatório do IPCC.
O artigo concluiu que entender a história da ciência e do conhecimento produzido contribuiria para a prática da ciência atual. Além disso, é preciso coordenar e integrar esforços para melhorar a compreensão de fatores e processos relacionados ao aumento do nível do mar.
Mais informações: Garner, Andra J., et al. "Evolution of 21st Century Sea‐level Rise Projections." Earth's Future (2018).
Imagem: Unsplash/Thiago Japyassu



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