As áreas protegidas - como as Unidades de Conservação - contribuem para a adaptação das espécies às rápidas mudanças climáticas, indicou estudo de pesquisadores de universidades da Finlândia e da Suécia. Assim, as áreas protegidas contribuirão para diminuir a iminente perda de biodiversidade futura.
O estudo ressaltou que a mudança climática tem interferido em todos os ecossistemas terrestres. Projeções de cenários futuro de aquecimento global sugerem uma notável redução da biodiversidade global.
As zonas climáticas de espécies e ecossistemas passam a ocorrer em locais de maiores altitudes ou de maiores latitudes - mais ao norte ou ao sul do equador. Em resposta, as espécies alteram a sua distribuição geográfica.
No entanto, o impacto das mudanças climáticas se soma àquele da perda ou da fragmentação de habitats, em função das alterações humanas no uso e ocupação dos solos.
Segundo o estudo, a expectativa é de que os efeitos conjuntos da mudança climática e da perda de habitat sejam desastrosos para a biodiversidade.
Uma das formas atuais mais importantes de conservação de espécies se dá por meio das áreas protegidas. O papel que elas podem ter em um contexto de mudanças climáticas, contudo, ainda é motivo de discussão no meio científico.
A natureza estática das áreas protegidas, a baixa cobertura e o viés espacial representariam limitações para a manutenção da biodiversidade sob a alteração do clima. Ainda assim, pesquisas pontuais apontaram para o papel das áreas protegidas na preservação de espécies raras ou na migração de espécies para novos territórios.
A fim de aprofundar a discussão sobre o tema, os pesquisadores elaboraram uma pesquisa de longo prazo a abrangente. Eles exploraram o papel das áreas protegidas na região norte da Finlândia, utilizando dados de espécies de aves ao longo dos anos de 1970 a 2014. Os dados foram analisados com o apoio de um modelo estatístico de distribuição das espécies.
A abundância de espécies se mostrou maior, e diminuiu menos ao longo do período, dentro das áreas protegidas e em suas bordas. O efeito positivo na abundância de aves foi particularmente acentuado para espécies do norte com maior dependência das áreas protegidas.
A abundância dessas espécies cresceu dentro das áreas protegidas. Por outro lado, elas praticamente deixaram de existir fora das áreas a partir do ano 2000.
A abundância das espécies típicas do sul do país foi menor. Registrou-se um pequeno crescimento dessas espécies nos anos 2000s. Mas aquelas espécies com alta dependência de áreas protegidas tiveram uma abundância muito maior dentro do que fora das áreas.
A partir dos resultados, o estudo concluiu que as áreas protegidas cumprem um papel essencial na conservação de espécies do norte do país frente às mudanças do clima. As áreas também facilitam a migração de espécies do sul.
As evidências apontaram para a relevância das áreas protegidas para a adaptação de espécies às mudanças climáticas. Elas podem suavizar temporariamente os impactos climáticos, mas isso variará caso a caso.
A conservação da biodiversidade exigirá programas mais amplos de conservação, convertendo terras atualmente desprotegidas. Nesse contexto, as áreas protegidas atuais oferecem um refúgio momentâneo aos impactos das mudanças climáticas.
Mais informações: Lehikoinen, P., Santangeli, A., Jaatinen, K., Rajasärkkä, A., & Lehikoinen, A. (2018). Protected areas act as a buffer against detrimental effects of climate change—Evidence from large‐scale, long‐term abundance data. Global change biology.
Imagem: Unsplash/ Linda Söndergaard
O estudo ressaltou que a mudança climática tem interferido em todos os ecossistemas terrestres. Projeções de cenários futuro de aquecimento global sugerem uma notável redução da biodiversidade global.
As zonas climáticas de espécies e ecossistemas passam a ocorrer em locais de maiores altitudes ou de maiores latitudes - mais ao norte ou ao sul do equador. Em resposta, as espécies alteram a sua distribuição geográfica.
No entanto, o impacto das mudanças climáticas se soma àquele da perda ou da fragmentação de habitats, em função das alterações humanas no uso e ocupação dos solos.
Segundo o estudo, a expectativa é de que os efeitos conjuntos da mudança climática e da perda de habitat sejam desastrosos para a biodiversidade.
Uma das formas atuais mais importantes de conservação de espécies se dá por meio das áreas protegidas. O papel que elas podem ter em um contexto de mudanças climáticas, contudo, ainda é motivo de discussão no meio científico.
A natureza estática das áreas protegidas, a baixa cobertura e o viés espacial representariam limitações para a manutenção da biodiversidade sob a alteração do clima. Ainda assim, pesquisas pontuais apontaram para o papel das áreas protegidas na preservação de espécies raras ou na migração de espécies para novos territórios.
A fim de aprofundar a discussão sobre o tema, os pesquisadores elaboraram uma pesquisa de longo prazo a abrangente. Eles exploraram o papel das áreas protegidas na região norte da Finlândia, utilizando dados de espécies de aves ao longo dos anos de 1970 a 2014. Os dados foram analisados com o apoio de um modelo estatístico de distribuição das espécies.
A abundância de espécies se mostrou maior, e diminuiu menos ao longo do período, dentro das áreas protegidas e em suas bordas. O efeito positivo na abundância de aves foi particularmente acentuado para espécies do norte com maior dependência das áreas protegidas.
A abundância dessas espécies cresceu dentro das áreas protegidas. Por outro lado, elas praticamente deixaram de existir fora das áreas a partir do ano 2000.
A abundância das espécies típicas do sul do país foi menor. Registrou-se um pequeno crescimento dessas espécies nos anos 2000s. Mas aquelas espécies com alta dependência de áreas protegidas tiveram uma abundância muito maior dentro do que fora das áreas.
A partir dos resultados, o estudo concluiu que as áreas protegidas cumprem um papel essencial na conservação de espécies do norte do país frente às mudanças do clima. As áreas também facilitam a migração de espécies do sul.
As evidências apontaram para a relevância das áreas protegidas para a adaptação de espécies às mudanças climáticas. Elas podem suavizar temporariamente os impactos climáticos, mas isso variará caso a caso.
A conservação da biodiversidade exigirá programas mais amplos de conservação, convertendo terras atualmente desprotegidas. Nesse contexto, as áreas protegidas atuais oferecem um refúgio momentâneo aos impactos das mudanças climáticas.
Mais informações: Lehikoinen, P., Santangeli, A., Jaatinen, K., Rajasärkkä, A., & Lehikoinen, A. (2018). Protected areas act as a buffer against detrimental effects of climate change—Evidence from large‐scale, long‐term abundance data. Global change biology.
Imagem: Unsplash/ Linda Söndergaard

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