A quantidade de aerossóis presentes na atmosfera no período pré-industrial pode ter sido maior do que o suposto anteriormente, mostrou estudo de um grupo internacional de cientistas. A origem dos aerossóis atmosféricos seria a queima de biomassa vegetal.
Segundo o estudo, havia pouco debate científico a respeito da ocorrência de incêndios no passado, antes da era industrial. Registros paleoclimáticos, como núcleos de gelo, sedimentos marinhos e de lagos, ou anéis de árvores, indicam uma grande variação no padrão global de incêndio durante os últimos 500 anos.
Todavia, os registros paleoclimáticos também apontavam para um pico no padrão de incêndios, em geral por volta do ano 1850. Após o pico, a ocorrência de incêndios começou a cair para os níveis registrados atualmente.
Os modelos climáticos, no entanto, estão baseados na hipótese de que o padrão de incêndio do presente é superior ao registrado no período pré-industrial. Dessa forma, simulam emissões de aerossóis a partir da queima de biomassa em quantidades menores no período pré-industrial do que no presente.
A hipótese está fundamentada na suposição de que a ocorrência de incêndios aumentaria junto com o aumento da densidade populacional. Mas pesquisas recentes revelaram o contrário, uma vez que o crescimento da densidade populacional é acompanhada de uma alteração no uso da terra, levando à redução da área queimada.
Nas últimas décadas, o estudo apontou que a área queimada em todo o mundo diminui entre 1% e 2% ao ano, com declínios máximos de 3% a 6% na Austrália e Nova Zelândia e na Europa. Em comparação com o período pré-industrial, uma estimativa sugere que a área queimada entre 1984 e 2009 foi 14% menor em uma região dos Estados Unidos.
Outra estimativa indica, entre o período pré-industrial e o presente, uma redução global da área queimada de 25% a 30%. A tendência de diminuição dos incêndios viria de mudanças nas práticas humanas em relação ao uso da terra, à gestão e prevenção do fogo, ou a legislação.
As hipóteses e suposições utilizadas na construção dos modelos climáticos não correspondiam, portanto, às observações. Eles incluíam um aumento no padrão global de incêncios entre o período pré-industrial e o presente, quando as evidências apontavam para o contrário. Assim, subestimavam as emissões de aerossóis do passado.
A concentração atmosférica de aerossóis exerce diversas influências no sistema climático. Eles refletem a luz solar de volta ao espaço, reduzindo a quantidade de energia absorvida e levando ao resfriamento. Também participam da formação de nuvens, influenciando a quantidade de luz solar que elas refletem, além de interferir em outros fenômenos meteorológicos.
A fim de reavaliar o período pré-industrial, os cientistas utilizaram as evidências disponíveis para reconstruir, em dois modelos globais de incêndio, as emissões de aerossóis. Em seguida, lançaram os resultados da simulação em um modelo climático.
Ao revisar o padrão de incêndios pré-industrial, os modelos simularam concentrações atmosféricas de aerossóis significativamente maiores do que o estimado anteriormente. O estudo indicou alterações substanciais na magnitude e no padrão regional do aerossol no balanço energético do sistema climático.
Como consequência, o entendimento da ciência da evolução do balanço energético durante o período industria precisaria ser revisto. As implicações para os estudos climáticos podem ser profundas, ressaltaram os cientistas.
Mais informações: Hamilton, Douglas Stephen, et al. "Reassessment of pre-industrial fire emissions strongly affects anthropogenic aerosol forcing." Nature communications 9.1 (2018): 3182.
Imagem: Flickr
Segundo o estudo, havia pouco debate científico a respeito da ocorrência de incêndios no passado, antes da era industrial. Registros paleoclimáticos, como núcleos de gelo, sedimentos marinhos e de lagos, ou anéis de árvores, indicam uma grande variação no padrão global de incêndio durante os últimos 500 anos.
Todavia, os registros paleoclimáticos também apontavam para um pico no padrão de incêndios, em geral por volta do ano 1850. Após o pico, a ocorrência de incêndios começou a cair para os níveis registrados atualmente.
Os modelos climáticos, no entanto, estão baseados na hipótese de que o padrão de incêndio do presente é superior ao registrado no período pré-industrial. Dessa forma, simulam emissões de aerossóis a partir da queima de biomassa em quantidades menores no período pré-industrial do que no presente.
A hipótese está fundamentada na suposição de que a ocorrência de incêndios aumentaria junto com o aumento da densidade populacional. Mas pesquisas recentes revelaram o contrário, uma vez que o crescimento da densidade populacional é acompanhada de uma alteração no uso da terra, levando à redução da área queimada.
Nas últimas décadas, o estudo apontou que a área queimada em todo o mundo diminui entre 1% e 2% ao ano, com declínios máximos de 3% a 6% na Austrália e Nova Zelândia e na Europa. Em comparação com o período pré-industrial, uma estimativa sugere que a área queimada entre 1984 e 2009 foi 14% menor em uma região dos Estados Unidos.
Outra estimativa indica, entre o período pré-industrial e o presente, uma redução global da área queimada de 25% a 30%. A tendência de diminuição dos incêndios viria de mudanças nas práticas humanas em relação ao uso da terra, à gestão e prevenção do fogo, ou a legislação.
As hipóteses e suposições utilizadas na construção dos modelos climáticos não correspondiam, portanto, às observações. Eles incluíam um aumento no padrão global de incêncios entre o período pré-industrial e o presente, quando as evidências apontavam para o contrário. Assim, subestimavam as emissões de aerossóis do passado.
A concentração atmosférica de aerossóis exerce diversas influências no sistema climático. Eles refletem a luz solar de volta ao espaço, reduzindo a quantidade de energia absorvida e levando ao resfriamento. Também participam da formação de nuvens, influenciando a quantidade de luz solar que elas refletem, além de interferir em outros fenômenos meteorológicos.
A fim de reavaliar o período pré-industrial, os cientistas utilizaram as evidências disponíveis para reconstruir, em dois modelos globais de incêndio, as emissões de aerossóis. Em seguida, lançaram os resultados da simulação em um modelo climático.
Ao revisar o padrão de incêndios pré-industrial, os modelos simularam concentrações atmosféricas de aerossóis significativamente maiores do que o estimado anteriormente. O estudo indicou alterações substanciais na magnitude e no padrão regional do aerossol no balanço energético do sistema climático.
Como consequência, o entendimento da ciência da evolução do balanço energético durante o período industria precisaria ser revisto. As implicações para os estudos climáticos podem ser profundas, ressaltaram os cientistas.
Mais informações: Hamilton, Douglas Stephen, et al. "Reassessment of pre-industrial fire emissions strongly affects anthropogenic aerosol forcing." Nature communications 9.1 (2018): 3182.
Imagem: Flickr


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