Florestas com maior diversidade sequestram mais carbono

As florestas subtropicais ricas em espécies armazenam em média o dobro do carbono de florestas de monocultura, descobriu estudo de um time de cientistas da Alemanha, da China e da Suíça.

O estudo teve por objetivo investigar se a biodiversidade exerce influência na quantidade de carbono sequestrada e armazenada por florestas subtropicais. Pesquisas anteriores, realizadas em ecossistemas de pastagens, indicavam que a biodiversidade aumentava a produtividade da comunidade vegetal.

Todavia, no caso das florestas, havia a hipótese de que a biodiversidade teria pouco efeito, uma vez que diferentes espécies de árvores ocupam nichos ecológicos semelhantes.

Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono - CO2 - da atmosfera e convertem o carbono em biomassa. Quanto mais carbono uma floresta absorve, mais ela pode contribuir na redução dos gases de efeito estufa da atmosfera.

Segundo um dos cientistas, uma pesquisa anterior indicou uma correlação positiva entre a biodiversidade das florestas e a quantidade de carbono armazenada. Mas o método utilizado não permitia a comparação entre distintas parcelas com maior ou menor diversidade.

O estudo se baseou em um experimento controlado. Em 2009, foram criadas parcelas de florestas cultivadas na China, totalizando mais de 150.000 árvores.

Em cada parcela, os cientistas controlaram a quantidade de espécies diferentes, variando de locais com uma única espécie - monoculturas - para locais com 16 espécies de árvores diferentes.

Em seguida, analisou-se para cada parcela a produtividade, a biomassa e a quantidade de carbono armazenada. Dessa forma, os cientistas puderam comparar diretamente os locais com menor biodiversidade com aqueles com maior biodiversidade.

Após somente quatro anos do plantio, o experimento mostrou uma distinção clara entre as parcelas com monoculturas e aquelas mais ricas em espécies. 

Depois de oito anos, as parcelas mais diversas armazenavam na biomassa em média 32 toneladas de carbono por hectare. Menos da metade, ou aproximadamente 12 toneladas por hectare, havia sido sequestrado nas parcelas com a presença de apenas uma espécie. 

As evidências apontaram que a biodiversidade torna as florestas subtropicais bem mais produtivas, estimulando o crescimento das plantas. Isso tem importantes desdobramentos para estratégia voltadas à limitação do aquecimento global por meio de programas de reflorestamento.

As florestas ricas em espécies são mais produtivas e sequestram mais carbono. Além disso, segundo os cientistas, elas também possuem menor vulnerabilidade a doenças e a eventos climáticos extremos.

As estratégias de reflorestamento, portanto, deveriam adotar plantios com várias espécies, concluiu o estudo.

Fonte: iDiv
Imagem: UZH - local do experimento, na China

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