Ainda existem desafios para a comunicação do conhecimento científico a respeito das mudanças climáticas, afirmou artigo de pesquisadores da Universidade de Campinas.
A limitação do aquecimento global - e consequentemente das mudanças climáticas que ele traz consigo - começa, segundo o artigo, na produção de conhecimento sobre a magnitude de seus possíveis impactos e das alternativas de mitigação.
Mas a ciência precisa ser eficientemente comunicada em diversas escalas, de modo a promover a percepção pública sobre os riscos introduzidos pelas mudanças climáticas. Só assim o aquecimento poderá ser limitado através de políticas e de uma profunda reformulação do modo de vida atual.
Existem, no entanto, quatro principais dificuldades relacionadas à comunicação do tema, apontaram os pesquisadores.
A primeira dificuldade estaria ligada a uma distância entre a comunidade científica e os veículos de comunicação, como jornais e televisão. De um lado, os profissionais da mídia reportam de forma imprecisa ou muito resumida as informações científicas. Além disso, limitações financeiras diminuem o espaço dedicado ao jornalismo científico.
De outro lado, os cientistas não divulgam apropriadamente as descobertas de seus estudos para os veículos de comunicação. Eles tampouco entram em contato com a mídia no caso de divulgação equivocada de informações científicas.
A polarização do tema constitui outra barreira para a comunicação. Ela se deve ao movimento do negacionismo científico. Associados à empresas e organizações, grupos de movimentos negacionistas produzem dúvidas sobre o consenso científico do aquecimento global. Eles interferem no entendimento do público e dos tomadores de decisão, prejudicando a implementação de medidas de mitigação e adaptação.
Ligado ao aspecto anterior está a politização das questões climáticas. O problema ocorre nos Estados Unidos, onde interesses da indústria e comerciais levaram o partido republicano a encampar o ponto de vista negacionista.
A comunicação do conhecimento científico também sofre com a lacuna entre conscientização e ação. Em alguns países, pesquisas identificaram que, apesar do aumento do conhecimento público sobre as mudanças climáticas, a preocupação com o tema diminuiu.
Muitas vezes, apesar de informadas, as pessoas não mudam seus hábitos para mitigar os riscos climáticos. O assunto pode ser percebido como algo abstrato, distante no futuro ou controverso. Fatores econômicos e políticos influenciam a opinião pública.
Segundo o artigo, um conjunto de alternativas está à disposição para superar as dificuldades de comunicação das mudanças climáticas. Entre elas, inclui-se o uso de tecnologia para criar imagens visuais, a difusão do jornalismo científico em veículos especializados, a adaptação das mensagens em função do público ou um maior envolvimento dos cientistas.
A educação consiste em estratégia fundamental para a participação da sociedade no tema do aquecimento global e das mudanças climáticos. No âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental, o governo brasileiro tem realizado ações na área. Uma delas resultou na publicação de um documento sobre a relação entre educação ambiental e mudanças climáticas.
Os pesquisadores ressaltaram a importância, na esfera pública, de priorizar a comunicação do conhecimento científico de maneira clara para diferentes públicos. Dessa forma a população poderá ser conscientizada sobre o tema e a urgência de ações de mitigação.
Mais informações: Guarenghi, M. M., de Abreu Azevedo, M., Walter, A., & Cavaliero, C. K. N. (2018). Barreiras na comunicação e alternativas para auxiliar a compreensão sobre mudanças climáticas. HOLOS, 3, 123-134.
Imagem: Unsplash/ Sam McGhee
A limitação do aquecimento global - e consequentemente das mudanças climáticas que ele traz consigo - começa, segundo o artigo, na produção de conhecimento sobre a magnitude de seus possíveis impactos e das alternativas de mitigação.
Mas a ciência precisa ser eficientemente comunicada em diversas escalas, de modo a promover a percepção pública sobre os riscos introduzidos pelas mudanças climáticas. Só assim o aquecimento poderá ser limitado através de políticas e de uma profunda reformulação do modo de vida atual.
Existem, no entanto, quatro principais dificuldades relacionadas à comunicação do tema, apontaram os pesquisadores.
A primeira dificuldade estaria ligada a uma distância entre a comunidade científica e os veículos de comunicação, como jornais e televisão. De um lado, os profissionais da mídia reportam de forma imprecisa ou muito resumida as informações científicas. Além disso, limitações financeiras diminuem o espaço dedicado ao jornalismo científico.
De outro lado, os cientistas não divulgam apropriadamente as descobertas de seus estudos para os veículos de comunicação. Eles tampouco entram em contato com a mídia no caso de divulgação equivocada de informações científicas.
A polarização do tema constitui outra barreira para a comunicação. Ela se deve ao movimento do negacionismo científico. Associados à empresas e organizações, grupos de movimentos negacionistas produzem dúvidas sobre o consenso científico do aquecimento global. Eles interferem no entendimento do público e dos tomadores de decisão, prejudicando a implementação de medidas de mitigação e adaptação.
Ligado ao aspecto anterior está a politização das questões climáticas. O problema ocorre nos Estados Unidos, onde interesses da indústria e comerciais levaram o partido republicano a encampar o ponto de vista negacionista.
A comunicação do conhecimento científico também sofre com a lacuna entre conscientização e ação. Em alguns países, pesquisas identificaram que, apesar do aumento do conhecimento público sobre as mudanças climáticas, a preocupação com o tema diminuiu.
Muitas vezes, apesar de informadas, as pessoas não mudam seus hábitos para mitigar os riscos climáticos. O assunto pode ser percebido como algo abstrato, distante no futuro ou controverso. Fatores econômicos e políticos influenciam a opinião pública.
Segundo o artigo, um conjunto de alternativas está à disposição para superar as dificuldades de comunicação das mudanças climáticas. Entre elas, inclui-se o uso de tecnologia para criar imagens visuais, a difusão do jornalismo científico em veículos especializados, a adaptação das mensagens em função do público ou um maior envolvimento dos cientistas.
A educação consiste em estratégia fundamental para a participação da sociedade no tema do aquecimento global e das mudanças climáticos. No âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental, o governo brasileiro tem realizado ações na área. Uma delas resultou na publicação de um documento sobre a relação entre educação ambiental e mudanças climáticas.
Os pesquisadores ressaltaram a importância, na esfera pública, de priorizar a comunicação do conhecimento científico de maneira clara para diferentes públicos. Dessa forma a população poderá ser conscientizada sobre o tema e a urgência de ações de mitigação.
Mais informações: Guarenghi, M. M., de Abreu Azevedo, M., Walter, A., & Cavaliero, C. K. N. (2018). Barreiras na comunicação e alternativas para auxiliar a compreensão sobre mudanças climáticas. HOLOS, 3, 123-134.
Imagem: Unsplash/ Sam McGhee

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