Variabilidade natural influencia o derretimento na Groenlândia

A taxa de derretimento da calota polar da Groenlândia sofre a influência do oceano Atlântico, identificou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos. Dois ciclos registrados no Atlântico, a Oscilação do Atlântico Norte - OAN - e a Oscilação Multidecadal do Atlântico - OMA - podem acelerar ou retardar a taxa de derretimento do gelo.

A Oscilação do Atlântico Norte - OAN - se caracteriza por diferenças na pressão atmosférica ao nível do mar entre os Açores e a Islândia. O fenômeno influencia a direção e magnitude de ventos e tempestades na região, que fluem do oeste para o leste.

Por sua vez, a Oscilação Multidecadal do Atlântico - OMA - consiste na variação da temperatura da água superficial no Atlântico Norte.

A transição entre fases positivas e negativas da OAN pode se dar ao longo de algumas semanas. No caso da OMA, a transição pode demorar mais de 50 anos. A variabilidade dos dois tipos de ciclos torna extremamente difícil estabelecer padrões confiáveis.

Para investigar os efeitos dos ciclos sobre a calota polar da Groenlândia, os pesquisadores realizaram um conjunto de simulações em modelos climáticos. Eles utilizaram um cenário de aumento de gases de efeito estufa ao longo dos séculos 20 e 21.

A análise comparou cada simulação realizada, de forma a isolar a influência da OMA e da OAN dos demais fatores ligados ao sistema climático. 

O estudo identificou que a fase negativa da OAN, em que a pressão atmosférica sobre a Groenlândia é maior, favorece episódios de degelo extremo da calota polar durante os verões. Da mesma forma, a fase positiva da OMA, ao elevar a temperatura da região como um todo, pode propiciar a ocorrência de grandes eventos de fusão do gelo.

Dessa forma, apesar da retração da calota polar da Groenlândia estar associada ao aquecimento do sistema climático, essa relação não seria linear e gradual. De acordo com os pesquisadores, a velocidade de retração da calota polar variaria significativamente em função da OMA e da OAN. 

Os ciclos naturais criariam períodos de condições favoráveis, com aceleração do derretimento. E outros períodos menos favoráveis, com menores taxas de retração. Isso significa que, para um mesmo nível de aquecimento, o derretimento da calota polar da Groenlândia poderá variar em velocidade e magnitude em função da variabilidade natural.

As conclusões do estudo também se aplicam a outros eventos climáticos além da dinâmica da camada de gelo da Groenlândia. Os pesquisadores alertaram para a urgência em pesquisar, em um contexto de aquecimento, o papel da variabilidade natural nas tendências de outros fenômenos do clima.

A variabilidade natural poderá influenciar na intensidade e frequência das mudanças climáticas. Conhecer essa influência permitirá o planejamento de medidas de adaptação mais adequadas.


Fonte: Universidade de Maryland
Imagem: Flickr/ NASA-ICE, Michael Studinger

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