O planejamento e a construção de novas cidades não estão levando em consideração os potenciais impactos do aquecimento global. Pelo contrário, tem se verificado um grande crescimento em projetos na zona costeira, afirmou levantamento preliminar de pesquisadores de universidades do Canadá e dos Estados Unidos.
Os pesquisadores estão analisando os projetos de 120 novas cidades em construção na África, na América Latina, na Ásia e no Oriente Médio. A quantidade delas localizadas em áreas costeiras vulneráveis ao aumento do nível médio do mar e a eventos climáticos extremos foi surpreendente.
Segundo os pesquisadores, as novas cidades são implantadas sem o devido cuidado por parte de desenvolvedores e autoridades de planejamento. Muito pouco se realiza para tornar os novos ambientes urbanos resilientes às mudanças climáticas.
Um dos possíveis motivos por trás do descaso seria a lógica do lucro a curto prazo. Boa parte dos novos projetos são imobiliários. Há o interesse do público em viver na região costeira, e as novas cidades são concebidas para o estrato mais rico, como uma forma de investimento.
Outro fator diz respeito às narrativas políticas. Segundo os pesquisadores, agentes políticos se apropriam de projetos ambiciosos e atraentes para se apresentarem como uma ruptura com o passado. Em alguns casos, as novas cidades são promovidas como uma solução para problemas como a superlotação e o congestionamento.
Esse discurso, em combinação com os ganhos econômicos de agentes imobiliários e construtoras, pode impedir uma discussão apropriada da viabilidade das novas cidades.
O levantamento permitirá uma análise do desenvolvimento urbano nas regiões costeiras, confrontando os projetos de novas cidades e os argumentos de seus proponentes, com questões de sustentabilidade. Em especial, as mudanças climáticas.
A análise inicial dos dados obtidos das 120 novas cidades em construção foi desanimador. Em apenas 8 casos, o aspecto da resiliência às mudanças climáticas integrava o planejamento urbano.
Um dos exemplos é a Cidade Floresta, em construção entre Malásia e Singapura. A cidade está sendo construída em um grande aterro, antes ocupado pela água do mar, no estreito que separa os dois países. Se concluída conforme o plano diretor, ela abrigará cerca de 700.000 pessoas em quatro ilhas artificiais. Terá uma densidade populacional superior a qualquer centro urbano do mundo.
Ao mesmo tempo, a cidade estará vulnerável aos impactos do aquecimento global, demonstrando a postura arrogante dos construtores das novas cidades. Para eles, o nível do mar continuará o mesmo. Ou será um problema somente dos outros.
Fonte: McGill University
Imagem: Flickr - ilustração da Cidade Floresta
Os pesquisadores estão analisando os projetos de 120 novas cidades em construção na África, na América Latina, na Ásia e no Oriente Médio. A quantidade delas localizadas em áreas costeiras vulneráveis ao aumento do nível médio do mar e a eventos climáticos extremos foi surpreendente.
Segundo os pesquisadores, as novas cidades são implantadas sem o devido cuidado por parte de desenvolvedores e autoridades de planejamento. Muito pouco se realiza para tornar os novos ambientes urbanos resilientes às mudanças climáticas.
Um dos possíveis motivos por trás do descaso seria a lógica do lucro a curto prazo. Boa parte dos novos projetos são imobiliários. Há o interesse do público em viver na região costeira, e as novas cidades são concebidas para o estrato mais rico, como uma forma de investimento.
Outro fator diz respeito às narrativas políticas. Segundo os pesquisadores, agentes políticos se apropriam de projetos ambiciosos e atraentes para se apresentarem como uma ruptura com o passado. Em alguns casos, as novas cidades são promovidas como uma solução para problemas como a superlotação e o congestionamento.
Esse discurso, em combinação com os ganhos econômicos de agentes imobiliários e construtoras, pode impedir uma discussão apropriada da viabilidade das novas cidades.
O levantamento permitirá uma análise do desenvolvimento urbano nas regiões costeiras, confrontando os projetos de novas cidades e os argumentos de seus proponentes, com questões de sustentabilidade. Em especial, as mudanças climáticas.
A análise inicial dos dados obtidos das 120 novas cidades em construção foi desanimador. Em apenas 8 casos, o aspecto da resiliência às mudanças climáticas integrava o planejamento urbano.
Um dos exemplos é a Cidade Floresta, em construção entre Malásia e Singapura. A cidade está sendo construída em um grande aterro, antes ocupado pela água do mar, no estreito que separa os dois países. Se concluída conforme o plano diretor, ela abrigará cerca de 700.000 pessoas em quatro ilhas artificiais. Terá uma densidade populacional superior a qualquer centro urbano do mundo.
Ao mesmo tempo, a cidade estará vulnerável aos impactos do aquecimento global, demonstrando a postura arrogante dos construtores das novas cidades. Para eles, o nível do mar continuará o mesmo. Ou será um problema somente dos outros.
Fonte: McGill University
Imagem: Flickr - ilustração da Cidade Floresta

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