O aquecimento global está provocando alterações no sistema climático, e a ciência se esforça para compreender qual a velocidade e magnitude das mudanças. Uma das questões mais incertas, porém de grande relevância, diz respeito à intensidade com que eventos extremos de precipitação serão afetados.
Uma das formas de avançar no conhecimento atual é através do estudo de episódios de aquecimento no passado geológico terrestre. É o que realizou o estudo de um time internacional de cientistas. Para responder à questão de como as chuvas mudarão em um planeta mais aquecido, eles investigaram um conjunto de registros paleoclimáticos.
A análise se concentrou no período denominado Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno, ocorrido há aproximadamente 56 milhões de anos atrás. Durante esse período, o sistema climático experimentou ao longo de milhares de anos um aumento de 5oC da temperatura global média.
Tal aumento é semelhante ao projetado pelos modelos climáticos atuais, considerando um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa. A diferença é a escala de tempo: em vez de levar milênios para subir, a temperatura saltará para esse patamar até o ano 2100.
O estudo se baseou na análise depósitos aluviais no norte da Espanha, cujos sedimentos datam do início do Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno. Os resultados indicaram que a descarga de água na região cresceu pelo menos 1,35 e potencialmente até 14 vezes em resposta ao aquecimento.
A intensidade de chuvas extremas subiu significativamente, com severas implicações para a paisagem. Combinada com o desaparecimento da vegetação original, os cientistas inferiram que as chuvas intensas teriam desnudado os solos, transportando enormes quantidades de material para os cursos d'água e daí para o oceano.
Os resultados do estudo corroboraram outras evidências de grandes aumentos no escoamento superficial e na erosão continental durante o Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno. Outros registros paleoclimáticos também indicam a ocorrência de eventos de extremos de precipitação, provocando o transporte de volumes significativos de sedimentos dos continentes para ambientes marinhos.
As observações e os modelos climáticos apontam que o aquecimento global levará a mudanças pronunciadas na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. No caso das chuvas, em função, especialmente, de sua complexa dinâmica, ainda permanecem dúvidas quanto ao magnitude das mudanças.
Mas tendo em vista os resultados, o estudo alertou para a probabilidade de que a intensificação de extremos de chuvas e inundações pelo aquecimento atual seja mais alta, e talvez imprevisivelmente mais altas, do que o previsto pelos modelos climáticos.
Mais informações: Chen, Chen, et al. "Estimating regional flood discharge during Palaeocene-Eocene global warming." Scientific reports 8.1 (2018): 13391.
Imagem: Pixabay
Uma das formas de avançar no conhecimento atual é através do estudo de episódios de aquecimento no passado geológico terrestre. É o que realizou o estudo de um time internacional de cientistas. Para responder à questão de como as chuvas mudarão em um planeta mais aquecido, eles investigaram um conjunto de registros paleoclimáticos.
A análise se concentrou no período denominado Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno, ocorrido há aproximadamente 56 milhões de anos atrás. Durante esse período, o sistema climático experimentou ao longo de milhares de anos um aumento de 5oC da temperatura global média.
Tal aumento é semelhante ao projetado pelos modelos climáticos atuais, considerando um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa. A diferença é a escala de tempo: em vez de levar milênios para subir, a temperatura saltará para esse patamar até o ano 2100.
O estudo se baseou na análise depósitos aluviais no norte da Espanha, cujos sedimentos datam do início do Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno. Os resultados indicaram que a descarga de água na região cresceu pelo menos 1,35 e potencialmente até 14 vezes em resposta ao aquecimento.
A intensidade de chuvas extremas subiu significativamente, com severas implicações para a paisagem. Combinada com o desaparecimento da vegetação original, os cientistas inferiram que as chuvas intensas teriam desnudado os solos, transportando enormes quantidades de material para os cursos d'água e daí para o oceano.
Os resultados do estudo corroboraram outras evidências de grandes aumentos no escoamento superficial e na erosão continental durante o Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno. Outros registros paleoclimáticos também indicam a ocorrência de eventos de extremos de precipitação, provocando o transporte de volumes significativos de sedimentos dos continentes para ambientes marinhos.
As observações e os modelos climáticos apontam que o aquecimento global levará a mudanças pronunciadas na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. No caso das chuvas, em função, especialmente, de sua complexa dinâmica, ainda permanecem dúvidas quanto ao magnitude das mudanças.
Mas tendo em vista os resultados, o estudo alertou para a probabilidade de que a intensificação de extremos de chuvas e inundações pelo aquecimento atual seja mais alta, e talvez imprevisivelmente mais altas, do que o previsto pelos modelos climáticos.
Mais informações: Chen, Chen, et al. "Estimating regional flood discharge during Palaeocene-Eocene global warming." Scientific reports 8.1 (2018): 13391.
Imagem: Pixabay

Comentários
Postar um comentário