Nos EUA, o lóbby é contra a política climática

O investimento em lobby junto ao congresso dos Estados Unidos, com o fim de aprovar ou barrar legislações, constitui um grande negócio. Estudo de um pesquisador do país identificou que, entre 2000 e 2016, os investimentos de grupos e empresas contrárias às políticas climáticas superou em muito o investimento de organizações ambientais e da indústria de energia renovável.

A legislação voltada à mitigação do aquecimento global pode afetar negativamente alguns setores da economia - ao mesmo tempo em que favorece outros. Por exemplo, a instituição de um imposto sobre o carbono, ou a implementação de outras exigências, traria efeitos sobre empresas de geração de energia, produtores de combustíveis fósseis ou empresas de transporte privado.

Mesmo que a atividade dessas companhias contribua para as emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, para o aquecimento global e seus impactos, elas buscam preservar seus interesses através de lobby junto ao congresso dos EUA. 

A fim de identificar o valor total investido, o estudo analisou dados dos relatórios que a indústria do lobby é obrigada a apresentar. Foi quantificado os valores investidos anualmente em questões relacionados ao clima por setores favoráveis ou contra.

Os relatórios apontaram que a indústria do lobby gastou 53 bilhões de dólares entre 2000 e 2016. Desse total, dois bilhões de dólares, ou quase 4%, estavam destinados a influenciar o congresso em relação à leis associadas às mudanças climáticas.

Todos os anos, pelos menos 2% do total investido em lobby teve por objetivo influenciar a política climática do país. Mas a quantia gasta variou em conformidade com a legislação em análise e as audiências do Congresso dos EUA. A maior parte do investimento se deu principalmente entre 2006 e 2009.

As empresas de geração de eletricidade lideraram em termos de aporte financeiro, despendendo 554 milhões de dólares com a atividade de lobistas, ou aproximadamente 26% do total. O setor de combustíveis fósseis veio logo em seguida, com 370 milhões de dólares, seguido pelo de transportes, com 252 milhões,

Esse valores fizeram o lobby de organizações ambientais e do setor de energia renovável parecer uma agulha no palheiro. Juntos, eles representaram somente 6% do dinheiro abocanhado pelos lobistas. Ou seja, 94% do total foi dedicado à influenciar o Congresso para barrar a aprovação de políticas climáticas e favorecer a utilização de combustíveis fósseis.

O pesquisador ressaltou que, por causa do lobby, a legislação nos Estados Unidos está submetida à concorrência dentro de um mesmo setor e entre distintos setores da economia. No caso das políticas climáticas, grupos e organizações favoráveis realizam esforços de mobilização pontuais, de curto prazo.

Investimentos contínuos e dramaticamente maiores em lobistas profissionais tem sido uma exclusividade dos grupos favoráveis ao consumo de combustíveis fósseis. 

Além disso, o pesquisador alertou para a falta de transparência da atividade de lobby. A natureza e o fluxo de informações às quais os tomadores de decisão do governo tem acesso pode ser significativamente alterados pelos lobistas profissionais.

O processo de lobbying acontece entre quatro paredes, longe dos olhos do público. Não é de surpreender, portanto, o atraso dos Estados Unidos na implementação de políticas climáticas, em comparação com a maioria dos outros países.

Fonte: Springer
Imagem: Unsplash/ Marten Bjork

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