Políticas climáticas e o risco de fome

Políticas climáticas dedicadas à limitação do aquecimento global a 1,5◦C ou bem abaixo de 2◦C, conforme estabelecido no acordo de Paris, podem interferir nos preços dos alimentos e na segurança alimentar, apontou estudo de um time internacional de pesquisadores.

A fim de atingir as metas do acordo de Paris, serão necessárias ações em grande escala relacionadas à terra, em especial o sequestro de carbono pelo reflorestamento, a produção de bioenergia, e a eliminação do desmatamento e das emissões da agricultura.

De acordo com o estudo, tais medidas trariam preocupações para a segurança alimentar. Em 2015, estimou-se em 795 milhões o número total de pessoas em risco de fome. As regiões que mais sofrem com o risco de fome são a África Subsaariana e o sul da Ásia.

As políticas climáticas poderiam aumentar os preços dos alimentos ao penalizar as emissões de gases de efeito estufa gerados na agricultura. Elas também poderiam estimular o uso das terras para outros fins que não a produção agrícola.

Nesse sentido, o estudo explorou as consequências potenciais de uma política climática global voltada à limitação do aquecimento a 1,5ºC. Por meio de um modelo econômico, foram investigados os efeitos da política sobre a segurança alimentar, bem como instrumentos disponíveis e inclusivos para proteger as pessoas mais vulneráveis do risco da fome.

As simulações sugeriram haver uma conexão entre as políticas climáticas e a segurança alimentar. Essa conexão aumentou de importância à medida que as políticas climáticas eram mais rigorosas. Isso significa que as ações de mitigação ao aquecimento global poderiam ter efeitos indesejados sobre a segurança alimentar.

Entretanto, os pesquisadores ressaltaram que o estudo adotou cenários simplificados. O exercício de simulações buscava avaliar dessa forma possíveis interações entre uma estrutura de políticas simplificada e a produção de alimentos.

A inclusão de instrumentos inclusivos nas políticas climáticas seria capaz de eliminar os efeitos adversos sobre a segurança alimentar. Entre os instrumentos, incluem-se a ajuda financeira internacional, impostos sobre a bioenergia e a redistribuição da renda doméstica dos países.

O estudo concluiu que, se implementada com cuidado, a política climática pode ser rigorosa o suficiente para limitar o aquecimento global, sem interferir na segurança alimentar.

Mais informações: Inclusive climate change mitigation and food security policy under 1.5◦C climate goal
Imagem: Freeimages

Comentários