As projeções de mudanças climáticas apontam para uma redução quantitativa e qualitativa da disponibilidade de água. Esse impacto agravará a poluição por produtos químicos, alertou artigo de cientistas de universidades da Alemanha, de Chipre e dos Estados Unidos.
Segundo o artigo, verifica-se atualmente a presença de muitos produtos químicos em diferentes momentos do ciclo hidrológico. O crescimento da população mundial e o aumento dos padrões de vida trarão um duplo desafio.
De um lado, elevará a demanda por água potável. De outro, intensificará o usos de produtos químicos e possivelmente de suas concentrações nas águas.
Segundo os cientistas, a diversidade e o volume de produtos químicos utilizados atualmente fez com que os tratamentos convencionais de água se tornassem menos eficientes. Eles enfrentam limitações de ordem técnica e efeitos colaterais indesejados. Além disso, consomem químicos e energia, e alguns poluentes são retirados apenas parcialmente ou mesmo nem retirados da água.
Outro problema são os efluentes sanitários sem tratamento. No Brasil, por exemplo, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2016 mostram que somente cerca de 50% dos esgotos gerados no país passavam por tratamento.
Mesmo em sistemas nos quais há coleta e tratamento de esgotos, episódios como vazamentos ou inundações podem interromper o serviço. Com isso, esgoto não tratado pode atingir os cursos d'água. Projeções do aquecimento global futuro indicam que chuvas extremas podem se tornar mais comuns.
Dessa forma, mediante as limitações tecnológicas e de abrangência do tratamento, uma opção seria reduzir a poluição química da água na fonte, ressaltou o artigo. Deve-se evitar que produtos químicos nocivos contaminem a água.
Para tanto, a indústria precisaria implantar um manejo adequado de insumos químicos. Inclui, entre outros, a diminuição da quantidade de químicos utilizados nos processos de fabricação, a substituição de compostos não biodegradáveis por biodegradáveis, separação de fluxos internos de água, reutilização e reciclagem de produtos químicos auxiliares.
Maior desafio será evitar a contaminação química das águas residuais dos municípios. Os cientistas recomendaram medidas orientadas para a composição química dos produtos. Por exemplo, por meio da redução e substituição de elementos utilizados em produtos.
A separação na fonte será muito mais desafiadora para as águas residuais municipais, onde será necessário concentrar-se nos produtos químicos usados nos produtos. Isso pode envolver a seleção de compostos biodegradáveis, o uso de menos constituintes e o uso de quantidades menores de produtos químicos em geral.
Mas ainda que se diminua o uso de produtos químicos, o artigo ressaltou que eles permanecerão indispensáveis. Nesse sentido, eles devem ser projetados de modo a se degradarem rápida e completamente nas águas ou em sistemas de tratamento.
Assim, ser ambientalmente benigno deveria constituir em um requisito para a avaliação de produtos químicos, levando-se em conta todo o seu ciclo de vida.
A abordagem atual também teria de mudar. Em vez do foco em aplicações individuais, o artigo apontou a necessidade de conhecer e gerir os fluxos de substâncias químicas, de materiais e de produtos na economia global. Incentivos e regulamentos teriam de entrar em vigor para orientar o desenvolvimento de produtos químicos em uma direção mais sustentável.
Mais informações: Kümmerer, K., Dionysiou, D. D., Olsson, O., & Fatta-Kassinos, D. (2018). A path to clean water. Science, 361(6399), 222-224.
Imagem: Freeimages
Segundo o artigo, verifica-se atualmente a presença de muitos produtos químicos em diferentes momentos do ciclo hidrológico. O crescimento da população mundial e o aumento dos padrões de vida trarão um duplo desafio.
De um lado, elevará a demanda por água potável. De outro, intensificará o usos de produtos químicos e possivelmente de suas concentrações nas águas.
Segundo os cientistas, a diversidade e o volume de produtos químicos utilizados atualmente fez com que os tratamentos convencionais de água se tornassem menos eficientes. Eles enfrentam limitações de ordem técnica e efeitos colaterais indesejados. Além disso, consomem químicos e energia, e alguns poluentes são retirados apenas parcialmente ou mesmo nem retirados da água.
Outro problema são os efluentes sanitários sem tratamento. No Brasil, por exemplo, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2016 mostram que somente cerca de 50% dos esgotos gerados no país passavam por tratamento.
Mesmo em sistemas nos quais há coleta e tratamento de esgotos, episódios como vazamentos ou inundações podem interromper o serviço. Com isso, esgoto não tratado pode atingir os cursos d'água. Projeções do aquecimento global futuro indicam que chuvas extremas podem se tornar mais comuns.
Dessa forma, mediante as limitações tecnológicas e de abrangência do tratamento, uma opção seria reduzir a poluição química da água na fonte, ressaltou o artigo. Deve-se evitar que produtos químicos nocivos contaminem a água.
Para tanto, a indústria precisaria implantar um manejo adequado de insumos químicos. Inclui, entre outros, a diminuição da quantidade de químicos utilizados nos processos de fabricação, a substituição de compostos não biodegradáveis por biodegradáveis, separação de fluxos internos de água, reutilização e reciclagem de produtos químicos auxiliares.
Maior desafio será evitar a contaminação química das águas residuais dos municípios. Os cientistas recomendaram medidas orientadas para a composição química dos produtos. Por exemplo, por meio da redução e substituição de elementos utilizados em produtos.
A separação na fonte será muito mais desafiadora para as águas residuais municipais, onde será necessário concentrar-se nos produtos químicos usados nos produtos. Isso pode envolver a seleção de compostos biodegradáveis, o uso de menos constituintes e o uso de quantidades menores de produtos químicos em geral.
Mas ainda que se diminua o uso de produtos químicos, o artigo ressaltou que eles permanecerão indispensáveis. Nesse sentido, eles devem ser projetados de modo a se degradarem rápida e completamente nas águas ou em sistemas de tratamento.
Assim, ser ambientalmente benigno deveria constituir em um requisito para a avaliação de produtos químicos, levando-se em conta todo o seu ciclo de vida.
A abordagem atual também teria de mudar. Em vez do foco em aplicações individuais, o artigo apontou a necessidade de conhecer e gerir os fluxos de substâncias químicas, de materiais e de produtos na economia global. Incentivos e regulamentos teriam de entrar em vigor para orientar o desenvolvimento de produtos químicos em uma direção mais sustentável.
Mais informações: Kümmerer, K., Dionysiou, D. D., Olsson, O., & Fatta-Kassinos, D. (2018). A path to clean water. Science, 361(6399), 222-224.
Imagem: Freeimages

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