Anfíbios de pequeno porte da região norte da Mata Atlântica poderão ser negativamente afetados pelo aquecimento global, aponta estudo de pesquisadores brasileiros. A viabilidade das espécies pode ser comprometida pela redução de áreas com condições climáticas adequadas.
Para se adaptar às mudanças climáticas, prevê-se que as espécies da fauna e da flora irão se deslocar em busca de condições mais favoráveis. A migração pode facilitar a invasão de espécies ou interferir nos ecossistemas, trazendo uma intensificação das taxas de extinção.
Segundo o estudo, os anfíbios apresentam características fisiológicas que os tornam particularmente vulneráveis. Eles dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura do corpo e possuem pele extremamente sensível à desidratação.
Ao revisar a literatura, foram identificados 19 locais de ocorrência das espécies endêmicas. Os pesquisadores então levantaram os dados climáticos atuais desses locais, projetando as condições futuras a partir de modelos climáticos. Foram considerados quatro cenários futuros, de baixas a altas emissões de gases de efeito estufa, e abrangendo os anos de 2050 e 2070.
Os resultados indicaram que as condições climáticas futuras dos locais de ocorrência das espécies irão se tornar diferentes do observado atualmente. A fim de encontrar condições climáticas semelhantes às atuais, as espécies teriam que se deslocar em direção a latitudes mais ao sul.
No entanto, o sul da Mata Atlântica atravessou uma expansão histórica de canaviais, fragmentando os remanescentes da floresta. O deslocamento de grandes distâncias exigiria que as espécies atravessassem os cultivos, onde enfrentam maior exposição a predadores e riscos de desidratação.
Sem a implementação de ações de reflorestamento, de modo a conectar os fragmentos de vegetação existentes, os pesquisadores consideraram pequena a possibilidade das espécies migrarem para ambientes mais favoráveis. Elas estão sob ameaça.
Sem a adoção de medidas de conservação e de pesquisa em curto prazo, é possível que se perca a chance de preservar as espécies de pequeno porte de anfíbios do norte da Mata Atlântica.
Mais informações: Vilela, B., Nascimento, F. A., & Vital, M. V. C. Impacts of climate change on small-ranged amphibians of the northern Atlantic Forest. Oecologia Australis, 22(2): 130–143, 2018.
Imagem: ICMBio/ Igor J. Roberto
Para se adaptar às mudanças climáticas, prevê-se que as espécies da fauna e da flora irão se deslocar em busca de condições mais favoráveis. A migração pode facilitar a invasão de espécies ou interferir nos ecossistemas, trazendo uma intensificação das taxas de extinção.
Segundo o estudo, os anfíbios apresentam características fisiológicas que os tornam particularmente vulneráveis. Eles dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura do corpo e possuem pele extremamente sensível à desidratação.
Dessa forma, variações na temperatura e na precipitação, especialmente durante a época de reprodução, tem grande impacto sobre as populações de anfíbios.
Apesar de diversas pesquisas anteriores investigarem os possíveis impactos do aquecimento sobre os anfíbios, espécies de pequeno porte não foram apropriadamente analisadas. Limitações no conhecimento ou na metodologia dificultavam a análise dessas espécies.
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| Espécie Phyllodytes edelmoi. Foto: ICMBio/ Marco Freitas. |
Entre todas as espécies de anfíbios, aquelas de pequeno porte consistem provavelmente nas mais vulneráveis porque possuem uma ocorrência limitada. Para avaliar os impactos sobre as espécies de anfíbio de pequeno porte, os pesquisadores estudaram 15 anfíbios endêmicos da Mata Atlântica, na região dos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
Ao revisar a literatura, foram identificados 19 locais de ocorrência das espécies endêmicas. Os pesquisadores então levantaram os dados climáticos atuais desses locais, projetando as condições futuras a partir de modelos climáticos. Foram considerados quatro cenários futuros, de baixas a altas emissões de gases de efeito estufa, e abrangendo os anos de 2050 e 2070.
Os resultados indicaram que as condições climáticas futuras dos locais de ocorrência das espécies irão se tornar diferentes do observado atualmente. A fim de encontrar condições climáticas semelhantes às atuais, as espécies teriam que se deslocar em direção a latitudes mais ao sul.
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| Espécie Phyllodytes gyrinaethes. Foto: ICMBio/ Igor J. Roberto. |
No entanto, o sul da Mata Atlântica atravessou uma expansão histórica de canaviais, fragmentando os remanescentes da floresta. O deslocamento de grandes distâncias exigiria que as espécies atravessassem os cultivos, onde enfrentam maior exposição a predadores e riscos de desidratação.
Sem a implementação de ações de reflorestamento, de modo a conectar os fragmentos de vegetação existentes, os pesquisadores consideraram pequena a possibilidade das espécies migrarem para ambientes mais favoráveis. Elas estão sob ameaça.
Sem a adoção de medidas de conservação e de pesquisa em curto prazo, é possível que se perca a chance de preservar as espécies de pequeno porte de anfíbios do norte da Mata Atlântica.
Mais informações: Vilela, B., Nascimento, F. A., & Vital, M. V. C. Impacts of climate change on small-ranged amphibians of the northern Atlantic Forest. Oecologia Australis, 22(2): 130–143, 2018.
Imagem: ICMBio/ Igor J. Roberto



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