As florestas de araucárias do sul do Brasil, da Argentina e do Chile tem origem na intervenção de comunidades indígenas antigas da América do Sul, identificou estudo de um time de cientistas brasileiros, dos Estados Unidos e do Reino Unido. As grandes extensões de florestas teriam sido produto da ação humana e não de fatores naturais.
Pesquisas arqueológicas na região identificaram um padrão na distribuição da floresta de araucária - também conhecida como pinheiro do Paraná. Em locais de pequena atividade humana no passado, a ocorrência da vegetação se limitava à encostas voltadas na direção sul. Em locais de ocupação humana intensa, a vegetação cobria toda a paisagem.
Nesse sentido, debatia-se quais fatores contribuíram para esse padrão da distribuição da floresta. Os dois principais seriam a alteração das condições climáticas no passado, tornando-se mais úmidas e mais quentes, ou ações humanas na paisagem, levando à expansão da floresta.
Os cientistas desenvolveram um modelo computacional reproduzindo a distribuição espacial da araucária, levando em consideração apenas os fatores naturais. Eles utilizaram o modelo para simular a distribuição da floresta no passado, comparando os resultados com registros históricos da vegetação, registros paleoclimáticos e arqueológicos.
A análise do estudo sugere que, entre 4.480 e 3.200 anos atrás, sob a influência de condições climáticas mais úmidas, as florestas se expandiram pela região, provavelmente junto a cursos d'água. Mais tarde, entre 1.410 e 900 anos atrás, teve lugar outra expansão, mais rápida e ampla, sendo que a vegetação passou a ocupar também áreas montanhosas.
Durante o segundo momento de crescimento das florestas, as condições climáticas eram desfavoráveis, mais secas. E coincidiu com a expansão da população pré-colombiana pela América do Sul, sobretudo da etnia Jê. Os cientistas concluíram que as comunidades interferiram na paisagem, por meio, por exemplo, do manejo do solo ou do plantio de mudas, de forma a promover o crescimento da florestas.
A comunidade Jê desenvolvera uma relação cultural integrada com a araucária. A vegetação atraía animais, que serviam de fonte de alimento. Também fornecia nozes, madeira, combustível e resina. A árvore se tornou parte da cosmologia da etnia Jê, que organizavam festivais para celebrar a floresta.
Por causa da intervenção humana, as florestas de araucárias teriam se expandido para além das fronteiras naturais, ocupando lugares onde geograficamente não deveriam ter florescido.
Se no passado a influência humana consistiu um fator central para a formação das florestas, no presente o oposto se verifica. Relatórios do final de 1.800 descrevem árvores com diâmetros superiores a 2 m, chegando a 42 m de altura. As araucárias modernas possuem em média apenas 17,7 m de altura.
Das 19 espécies, cinco estão classificadas como ameaçadas de extinção e duas, incluindo a araucária brasileira, como criticamente ameaçadas de extinção.
As alterações no clima trazidas pelo aquecimento global fazem as florestas de araucária ainda mais vulneráveis.
Fonte: Universidade de Exeter
Mais informações: Uncoupling human and climate drivers of late Holocene vegetation change in southern Brazil
Imagem: Flickr/ Paulo
Pesquisas arqueológicas na região identificaram um padrão na distribuição da floresta de araucária - também conhecida como pinheiro do Paraná. Em locais de pequena atividade humana no passado, a ocorrência da vegetação se limitava à encostas voltadas na direção sul. Em locais de ocupação humana intensa, a vegetação cobria toda a paisagem.
Nesse sentido, debatia-se quais fatores contribuíram para esse padrão da distribuição da floresta. Os dois principais seriam a alteração das condições climáticas no passado, tornando-se mais úmidas e mais quentes, ou ações humanas na paisagem, levando à expansão da floresta.
Os cientistas desenvolveram um modelo computacional reproduzindo a distribuição espacial da araucária, levando em consideração apenas os fatores naturais. Eles utilizaram o modelo para simular a distribuição da floresta no passado, comparando os resultados com registros históricos da vegetação, registros paleoclimáticos e arqueológicos.
A análise do estudo sugere que, entre 4.480 e 3.200 anos atrás, sob a influência de condições climáticas mais úmidas, as florestas se expandiram pela região, provavelmente junto a cursos d'água. Mais tarde, entre 1.410 e 900 anos atrás, teve lugar outra expansão, mais rápida e ampla, sendo que a vegetação passou a ocupar também áreas montanhosas.
Durante o segundo momento de crescimento das florestas, as condições climáticas eram desfavoráveis, mais secas. E coincidiu com a expansão da população pré-colombiana pela América do Sul, sobretudo da etnia Jê. Os cientistas concluíram que as comunidades interferiram na paisagem, por meio, por exemplo, do manejo do solo ou do plantio de mudas, de forma a promover o crescimento da florestas.
A comunidade Jê desenvolvera uma relação cultural integrada com a araucária. A vegetação atraía animais, que serviam de fonte de alimento. Também fornecia nozes, madeira, combustível e resina. A árvore se tornou parte da cosmologia da etnia Jê, que organizavam festivais para celebrar a floresta.
Por causa da intervenção humana, as florestas de araucárias teriam se expandido para além das fronteiras naturais, ocupando lugares onde geograficamente não deveriam ter florescido.
Se no passado a influência humana consistiu um fator central para a formação das florestas, no presente o oposto se verifica. Relatórios do final de 1.800 descrevem árvores com diâmetros superiores a 2 m, chegando a 42 m de altura. As araucárias modernas possuem em média apenas 17,7 m de altura.
Das 19 espécies, cinco estão classificadas como ameaçadas de extinção e duas, incluindo a araucária brasileira, como criticamente ameaçadas de extinção.
As alterações no clima trazidas pelo aquecimento global fazem as florestas de araucária ainda mais vulneráveis.
Fonte: Universidade de Exeter
Mais informações: Uncoupling human and climate drivers of late Holocene vegetation change in southern Brazil
Imagem: Flickr/ Paulo


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