Espécies sob risco não estarão aptas a se deslocar

Muitas espécies de animais podem ser mais vulneráveis ao aquecimento global do que o previsto anteriormente, aponta estudo de pesquisadores da Espanha e do Reino Unido. Elas não serão capazes de se deslocar e colonizar novos lugares.

As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global impõem riscos para a biodiversidade. De acordo com o estudo, o risco é usualmente estimado através da projeção de perdas futuras de habitat e de áreas que manterão condições favoráveis. Baseia-se tanto na extensão dessas áreas quanto na distância entre elas - exigindo que as espécies se desloquem.

Todavia, a possibilidade de migrar de uma região e colonizar outra depende em boa medida das características de cada espécie. Mas esse aspecto não havia sido investigado apropriadamente em pesquisas sobre o risco das mudanças climáticas.

Para preencher essa lacuna, os pesquisadores utilizaram as características de 62 espécies de mamíferos encontrados na Europa. O objetivo foi investigar o potencial de cada uma delas de se deslocar para novas áreas, de forma a se adaptarem a cenários futuros de alteração do clima.

O estudo utilizou um modelo de distribuição espacial das espécies sob dois cenários futuros de emissões de gases de efeito estufa. Uma das características avaliadas foi o grau de generalização do animal - se ele estava adaptado a viver em diversos tipos de habitat e comer uma grande variedade de alimentos.

A outra dizia respeito à estratégia reprodutiva do animal. Espécies que começam a se reproduzir quando mais jovens e tem muitos filhotes apresentam maiores chances de se estabelecer em uma nova área.

Os resultados sugeriram que quase metade das espécies, 30 do total de 62, possuem características desfavoráveis para enfrentar a perda projetada de habitat devido à alterações climáticas. Entre eles, estão o wolverine, o alce e a cabra ibérica.

Migrar de locais onde se projeta perda de habitat para aqueles onde se manterão condições favoráveis implica, muitas vezes, em um deslocamento de longa distância. E algumas espécies talvez não consigam realizar tamanho deslocamento, afirmaram os pesquisadores.

O rato do mediterrâneo, original de Portugal e da Espanha, constitui um exemplo. As projeções mostram que a área atual ocupada pela espécie se tornará inviável no futuro. Teoricamente, condições favoráveis se manteriam no leste da Itália.

Mas isso demandaria que o rato do mediterrâneo atravessasse o território da França e parte da Itália para chega até lá, uma possibilidade muito pouco provável.

Os pesquisadores ressaltaram que muitas espécies atualmente sob os maiores riscos de extinção terão dificuldade em colonizar novas áreas. 

A análise do impacto das mudanças climáticas sobre as espécies não deve se restringir somente à exposição à alterações climáticas, representada pela perda de habitat e pela necessidade de migração. É fundamental inclui as características individuais das espécies, investigando caso a caso.

Fonte: Universidade de Exeter
Imagem: Inaturalist/ Julien-Renoult

Comentários