Uma das metas do acordo climático de Paris é limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Para cumpri-la, a quantidade de carbono que os países podem liberar para a atmosfera corresponderia a 11 anos de emissões de gases de efeito estufa nos níveis atuais, afirma estudo de pesquisadores do Canadá e da Finlândia.
É possível estimar a quantidade acumulada de emissões de carbono que levariam a temperatura média global a subir até o limite da meta de 1,5°C. Essa quantidade é usualmente denominada como orçamento de carbono e, segundo o estudo, contribui para as discussões políticas sobre a redução das emissões.
Diversas estimativas foram produzidas a esse respeito. No caso da meta de 1.5°C, o orçamento de carbono varia de 600 petagramas a mais de 800 petagramas de carbono. O estudo cita que aproximadamente 555 PgC foram emitidos desde a revolução industrial até o ano de 2015 por meio da queima de combustíveis fósseis e de alterações no uso e ocupação dos solos.
Os pesquisadores realizaram uma estimativa probabilística da quantidade acumulada de carbono que levaria a temperatura média global a subir e estabilizar em 1,5°C. Para o cálculo, eles levantaram as emissões de gases de efeito estufa ocorridas desde 1850.
Foi considerado também a contribuição de duas fontes principais de incerteza. Uma delas é o comportamento futuro dos ecossistemas terrestres, que tanto sequestram carbono da atmosfera através, por exemplo, da vegetação, quanto liberam devido a alterações no uso e ocupação dos solos.
A outra fonte de incerteza são as emissões de gases de efeito estufa diferentes do dióxido de carbono - CO2. A estimativa do orçamento de carbono depende flutuará de acordo com as concentrações de gases como o metano - CH4 - e o óxido nitroso - N2O. Quanto maiores as emissões futuras desses gases, menor será a quantidade de carbono que poderá ser emitida e, portanto, menor o orçamento de carbono.
A estimativa se baseou em projeções de um modelo climático, incluindo a as emissões históricas de CO2, aerossóis, e os processos e fluxos do ciclo do carbono. O resultado indicou que a temperatura média global alcançaria a meta de 1,5°C no ano de 2055.
Entre 1850 e 2055, a quantidade acumulada de emissões de carbono que levariam ao aumento da temperatura foi estimada em 699 PgC. Desse total, 469 PgC seriam provenientes da queima de combustíveis fósseis e 230 PgC pela alteração no uso e ocupação do solo.
O estudo calculou que as emissões históricas acumuladas até o ano de 2015 somavam 570 PgC. Ou seja, do orçamento de carbono de 699 PgC, 570 PgC já foram emitidos entre 1850 e 2015. Dessa forma, para que a meta seja alcançada, os países poderiam emitir somente os restantes 129 PgC até 2055.
As projeções mostraram a importância de outros fatores que não o CO2 para a estimativa do orçamento de carbono. Um dos principais foi a quantidade de aerossol presente na atmosfera. Ao refletirem a luz solar de volta ao espaço, os aerossóis contribuem para resfriar o planeta.
As simulações apontaram para uma grande redução dos níveis atuais das concentrações de aerossol. Entre as causas, incluem-se medidas para controle da poluição atmosférica ou a diminuição da queima de combustíveis fósseis.
Além disso, em cenários futuros nos quais as concentrações de gases como o metano e o óxido nitroso continuam a subir, e as de aerossóis diminuem, o orçamento de carbono seria ainda menor. Nesses cenários, o aquecimento provocado por esses fatores interferiria no ciclo do carbono, reduzindo a absorção pelos ecossistemas terrestres e pelo oceano.
Diante dos resultados, o pesquisadores não descartaram a possibilidade de que o orçamento de carbono da meta de 1,5°C já tenho sido ultrapassado. E mesmo no caso do orçamento de carbono estimado pelo estudo, além da eliminação em curto prazo do CO2, as mitigações dos outros gases de efeito estufa deverão ser muito mais rigorosas do que o considerado atualmente.
Mais informações: 1.5 °C carbon budget dependent on carbon cycle uncertainty and future non-CO2 forcing
Imagem: Pixabay
É possível estimar a quantidade acumulada de emissões de carbono que levariam a temperatura média global a subir até o limite da meta de 1,5°C. Essa quantidade é usualmente denominada como orçamento de carbono e, segundo o estudo, contribui para as discussões políticas sobre a redução das emissões.
Diversas estimativas foram produzidas a esse respeito. No caso da meta de 1.5°C, o orçamento de carbono varia de 600 petagramas a mais de 800 petagramas de carbono. O estudo cita que aproximadamente 555 PgC foram emitidos desde a revolução industrial até o ano de 2015 por meio da queima de combustíveis fósseis e de alterações no uso e ocupação dos solos.
Os pesquisadores realizaram uma estimativa probabilística da quantidade acumulada de carbono que levaria a temperatura média global a subir e estabilizar em 1,5°C. Para o cálculo, eles levantaram as emissões de gases de efeito estufa ocorridas desde 1850.
Foi considerado também a contribuição de duas fontes principais de incerteza. Uma delas é o comportamento futuro dos ecossistemas terrestres, que tanto sequestram carbono da atmosfera através, por exemplo, da vegetação, quanto liberam devido a alterações no uso e ocupação dos solos.
A outra fonte de incerteza são as emissões de gases de efeito estufa diferentes do dióxido de carbono - CO2. A estimativa do orçamento de carbono depende flutuará de acordo com as concentrações de gases como o metano - CH4 - e o óxido nitroso - N2O. Quanto maiores as emissões futuras desses gases, menor será a quantidade de carbono que poderá ser emitida e, portanto, menor o orçamento de carbono.
A estimativa se baseou em projeções de um modelo climático, incluindo a as emissões históricas de CO2, aerossóis, e os processos e fluxos do ciclo do carbono. O resultado indicou que a temperatura média global alcançaria a meta de 1,5°C no ano de 2055.
Entre 1850 e 2055, a quantidade acumulada de emissões de carbono que levariam ao aumento da temperatura foi estimada em 699 PgC. Desse total, 469 PgC seriam provenientes da queima de combustíveis fósseis e 230 PgC pela alteração no uso e ocupação do solo.
O estudo calculou que as emissões históricas acumuladas até o ano de 2015 somavam 570 PgC. Ou seja, do orçamento de carbono de 699 PgC, 570 PgC já foram emitidos entre 1850 e 2015. Dessa forma, para que a meta seja alcançada, os países poderiam emitir somente os restantes 129 PgC até 2055.
As projeções mostraram a importância de outros fatores que não o CO2 para a estimativa do orçamento de carbono. Um dos principais foi a quantidade de aerossol presente na atmosfera. Ao refletirem a luz solar de volta ao espaço, os aerossóis contribuem para resfriar o planeta.
As simulações apontaram para uma grande redução dos níveis atuais das concentrações de aerossol. Entre as causas, incluem-se medidas para controle da poluição atmosférica ou a diminuição da queima de combustíveis fósseis.
Além disso, em cenários futuros nos quais as concentrações de gases como o metano e o óxido nitroso continuam a subir, e as de aerossóis diminuem, o orçamento de carbono seria ainda menor. Nesses cenários, o aquecimento provocado por esses fatores interferiria no ciclo do carbono, reduzindo a absorção pelos ecossistemas terrestres e pelo oceano.
Diante dos resultados, o pesquisadores não descartaram a possibilidade de que o orçamento de carbono da meta de 1,5°C já tenho sido ultrapassado. E mesmo no caso do orçamento de carbono estimado pelo estudo, além da eliminação em curto prazo do CO2, as mitigações dos outros gases de efeito estufa deverão ser muito mais rigorosas do que o considerado atualmente.
Mais informações: 1.5 °C carbon budget dependent on carbon cycle uncertainty and future non-CO2 forcing
Imagem: Pixabay

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