A partir de uma demanda da Agência Nacional de Águas - ANA, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas - FGV - desenvolveu uma análise do custo-benefício de potenciais medidas de adaptação às mudanças climáticas em bacias hidrográficas.
Esse tipo de análise foi empregada pela primeira vez em 2014, na bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, estado de São Paulo. Recentemente a FGV publicou relatório com os resultados de uma segunda avaliação, na bacia hidrográfica dos rios Piancó-Piranhas-Açu, na região semiárida dos estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Segundo o relatório, as mudanças climáticas podem agravar eventos de escassez de água, intensificando o estresse hídrico em bacias consideradas atualmente vulneráveis. É o caso da bacia dos rios Piancó-Piranhas-Açu, localizada no núcleo do semiárido setentrional do nordeste brasileiro. Desde 2012, a bacia enfrente uma situação de crise hídrica.
Foram investigadas diferentes alternativas de adaptação à alteração do clima nos próximos 50 anos sob o ponto de vista econômico. Os pesquisadores exploraram em que proporção cada uma das potenciais medidas de adaptação abateria a perda esperada com as mudanças climáticas.
O estudo inclui três cenários futuros para a demanda de água na bacia, por setor usuário - estagnado, tendencial e acelerado. Também foram elaborados três cenários do clima futuro até 2050 - moderado, extremo e árido. Combinando os dois cenários, os pesquisadores projetaram os usos da água e a ocorrência de déficits hídricos, tendo em vista as características da bacia e as prioridades de atendimento.
Os resultados sugerem um aumento de até 133% do déficit hídrico na bacia até 2050, quando em comparação com um cenário sem mudanças climáticas. Os danos econômicos poderiam alcançar 7,8 bilhões de reais. Nesse contexto, das as 18 medidas de adaptação analisadas, 8 apresentarm custo-benefício positivo em todos os cenários.
Outras 5 medidas teriam custo-benefício positivo, dependendo do cenário em questão. O relatório indicou que 5 alternativas de adaptação não se justificariam, porque os custos foram sempre superiores aos benefícios calculados.
As melhores alternativas estiveram associadas ao aporte de água para a bacia hidrográfica. Mas nenhuma das ações de adaptação poderia solucionar sozinha os problemas futuros. O relatório ressalta para a necessidade de integração de diversas medidas.
Mas entre todos os cenários avaliados, não implementar ações de adaptação implicou nos maiores custos. Será bem mais caro reagir às crises no futuro do que se preparar.
Mais informações: Análise Custo-Benefício de Medidas de Adaptação à Mudança do Clima na Bacia Hidrográfica dos Rios Piancó-Piranhas-Açu
Imagem: Figura 1 do relatório - cálculo da perda econômica total em 50 anos por cenário climático
Esse tipo de análise foi empregada pela primeira vez em 2014, na bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, estado de São Paulo. Recentemente a FGV publicou relatório com os resultados de uma segunda avaliação, na bacia hidrográfica dos rios Piancó-Piranhas-Açu, na região semiárida dos estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Segundo o relatório, as mudanças climáticas podem agravar eventos de escassez de água, intensificando o estresse hídrico em bacias consideradas atualmente vulneráveis. É o caso da bacia dos rios Piancó-Piranhas-Açu, localizada no núcleo do semiárido setentrional do nordeste brasileiro. Desde 2012, a bacia enfrente uma situação de crise hídrica.
Foram investigadas diferentes alternativas de adaptação à alteração do clima nos próximos 50 anos sob o ponto de vista econômico. Os pesquisadores exploraram em que proporção cada uma das potenciais medidas de adaptação abateria a perda esperada com as mudanças climáticas.
O estudo inclui três cenários futuros para a demanda de água na bacia, por setor usuário - estagnado, tendencial e acelerado. Também foram elaborados três cenários do clima futuro até 2050 - moderado, extremo e árido. Combinando os dois cenários, os pesquisadores projetaram os usos da água e a ocorrência de déficits hídricos, tendo em vista as características da bacia e as prioridades de atendimento.
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| Classificação das melhores alternativas de adaptação em termos de custo-benefício econômico. Fonte: figura 2 do relatório. |
Outras 5 medidas teriam custo-benefício positivo, dependendo do cenário em questão. O relatório indicou que 5 alternativas de adaptação não se justificariam, porque os custos foram sempre superiores aos benefícios calculados.
As melhores alternativas estiveram associadas ao aporte de água para a bacia hidrográfica. Mas nenhuma das ações de adaptação poderia solucionar sozinha os problemas futuros. O relatório ressalta para a necessidade de integração de diversas medidas.
Mas entre todos os cenários avaliados, não implementar ações de adaptação implicou nos maiores custos. Será bem mais caro reagir às crises no futuro do que se preparar.
Mais informações: Análise Custo-Benefício de Medidas de Adaptação à Mudança do Clima na Bacia Hidrográfica dos Rios Piancó-Piranhas-Açu
Imagem: Figura 1 do relatório - cálculo da perda econômica total em 50 anos por cenário climático


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