Taxar o carbono evitaria graves impactos econômicos

Sem a implementação em larga escala de tecnologias de sequestro de carbono da atmosfera, não é mais possível cumprir a meta de limitar o aquecimento global a 2°C acima dos níveis pré-industriais. E as consequências econômicas podem ser graves, afirma estudo de pesquisadores franceses.

O estudo lembra que 195 países ratificaram o acordo climático de Paris. O compromisso é zerar as emissões de gases de efeito estufa até a segunda metade deste século. Para tanto, estimou-se que o investimento em infraestrutura nos próximos 15 anos seria de aproximadamente US$ 90 trilhões.

O problema, sustentam os pesquisadores, é que as finanças públicas se encontram atualmente em uma situação vulnerável. O setor privado precisaria responder por boa parte do colossal investimento. Isso, por sua vez, implicaria em um maior endividamento do setor privado, levantando-se dúvidas sobre a viabilidade de se realizar o plano de descarbonização no prazo necessário.

Para investigar a viabilidade do investimento, os pesquisadores elaboraram um modelo macroeconômico e ecológico integrado. Eles avaliaram duas fontes de instabilidade econômica, o aquecimento global e o sobreendividamento privado. Também exploraram a criação de taxas carbono e seus impactos na economia. Foram projetados quatro diferentes cenários econômicos futuros.

De acordo com o estudo, os resultados confirmaram pesquisas anteriores, apontando que a meta do acordo climático de Paris não pode mais ser alcançada. Somente na hipótese de desenvolvimento em larga escala de tecnologias de sequestro de carbono nas próximas décadas - um cenário revolucionário -, o aquecimento ficaria limitado a 2°C.

O estudo identificou uma forte interação entre o crescimento econômico, o nível de dívida do setor privado e os impactos causados pelas mudanças climáticas. Esses diversos fatores se reforçaram mutuamente. Em última instância, eles poderiam provocar uma decadência econômica global não planejada até o fim deste século.

Todavia, os pesquisadores apontaram que a aplicação de uma política de preço do carbono adequado evitaria o cenário futuro de grave recessão econômica. A política deveria estar orientada para a redistribuição da riqueza a favor dos salários, para a promoção do emprego e para a redução do índice dívida/resultado privado.

A trajetória do preço do carbono precisaria fomentar a eliminação das emissões até 2045. Os pesquisadores estimaram que, para mitigar o aquecimento da temperatura média global a no máximo 2,5°C, o preço do carbono deveria ser de US$ 44 por gigatonelada entre 2010 e 2020, US$ 140 em 2030 e US $300 em 2040.

O estudo alerta para a dimensão financeira dos problemas climáticos. E recomenda mais pesquisa, incorporando outras variáveis econômicas e demográficas.

Mais informações: Coping With Collapse: A Stock-Flow Consistent Monetary Macrodynamics of Global Warming
Imagem: Unsplash/ Pepi Stojanovski

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