A capacidade de geração de energia hidrelétrica poderá diminuir na bacia hidrográfica do Alto Paranapanema, sugere estudo de pesquisadores brasileiros. Mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global, em especial relacionadas à precipitação, tem o potencial de influenciar a vazão dos corpos d'água.
Segundo os pesquisadores, o planejamento no Brasil não aborda de modo apropriado os impactos potenciais das mudanças climáticas. A Política Nacional de Recursos Hídricos - PNRH, de 1997, não traz em suas diretrizes a alteração do clima. O planejamento energético, por sua vez, concentra-se na mitigação das emissões de gases de efeito estufa. A gestão de riscos climáticos ainda não ganhou prioridade.
Pesquisas anteriores registraram tendências de longo prazo no regime de chuvas e fluxo do rios em bacias hidrográficas da América do Sul e da África. Desde 1970, verificou-se aumento da precipitações vazões na América do Sul, enquanto que, na África, deu-se uma redução substancial. O motivo da alteração ainda não foi esclarecido. A tendência ilustra os impactos do clima sobre atividades humanas relacionadas ao recurso hídrico.
No Brasil, avaliações exploraram o impacto das mudanças climáticas sobre a geração de energia hidrelétrica. Uma estimativa para todo o país estimou perdas na produção entre 1% e 2,2%. No caso específico das bacias dos rios Paraná, Grande, Paranaíba, Paranapanema, Parnaíba, São Francisco e Tocantins, outra estimativa indicou perdas de 1,58% a 3,15%, dependendo do cenário.
O estudo elaborou cenários futuros de alteração na sazonalidade e no volume de chuvas até o ano d 2080. Por meio de um modelo computacional, investigou como as alterações se refletiriam no comportamento fisiológico dos corpos d'água da bacia hidrográfica do Alto Paranapanema, no estado de São Paulo. Foi calculado os impactos sobre a geração de energia de uma Usina Hidrelétrica e três Pequenas Centrais Hidrelétricas localizadas na região do estudo.
A estimativa foi de uma redução no fluxo dos rios da bacia hidrográfica entre 5,9% e 10,2% em um cenários de menores alterações climáticas. Isso levaria a perdas na produção de eletricidade entre 4,5% e 10,3%. Para o cenário de mudanças climáticas mais intensas, as vazões diminuiriam entre 7,8% e 13,6%, provocando uma perda de geração entre 8,8% e 12,5%.
Os resultados indicaram que a relação entre precipitação, vazão dos rios e geração hidrelétrica não é linear e proporcional. Fatores físico, topográficos e de cada região hidrográfica contribuem para amenizar ou acentuar as variações do regime de chuvas. A capacidade dos reservatório de modular as diferenças na vazão do rio também constituiu um fator importante para o tamanho da perda na geração.
Em face de uma potencial perda na geração de energia, os pesquisadores recomendaram que o planejamento energético brasileiro incorpore os riscos climáticos. As mudanças climáticas podem tornar ainda mais desafiador atender ao crescimento futuro da demanda de energia.
Mais informações: Impacts of Climate Change on Hydroelectric Power Generation – A Case Study Focused in the Paranapanema Basin, Brazil
Imagem: Unsplash/ American Public Power Association
Segundo os pesquisadores, o planejamento no Brasil não aborda de modo apropriado os impactos potenciais das mudanças climáticas. A Política Nacional de Recursos Hídricos - PNRH, de 1997, não traz em suas diretrizes a alteração do clima. O planejamento energético, por sua vez, concentra-se na mitigação das emissões de gases de efeito estufa. A gestão de riscos climáticos ainda não ganhou prioridade.
Pesquisas anteriores registraram tendências de longo prazo no regime de chuvas e fluxo do rios em bacias hidrográficas da América do Sul e da África. Desde 1970, verificou-se aumento da precipitações vazões na América do Sul, enquanto que, na África, deu-se uma redução substancial. O motivo da alteração ainda não foi esclarecido. A tendência ilustra os impactos do clima sobre atividades humanas relacionadas ao recurso hídrico.
No Brasil, avaliações exploraram o impacto das mudanças climáticas sobre a geração de energia hidrelétrica. Uma estimativa para todo o país estimou perdas na produção entre 1% e 2,2%. No caso específico das bacias dos rios Paraná, Grande, Paranaíba, Paranapanema, Parnaíba, São Francisco e Tocantins, outra estimativa indicou perdas de 1,58% a 3,15%, dependendo do cenário.
O estudo elaborou cenários futuros de alteração na sazonalidade e no volume de chuvas até o ano d 2080. Por meio de um modelo computacional, investigou como as alterações se refletiriam no comportamento fisiológico dos corpos d'água da bacia hidrográfica do Alto Paranapanema, no estado de São Paulo. Foi calculado os impactos sobre a geração de energia de uma Usina Hidrelétrica e três Pequenas Centrais Hidrelétricas localizadas na região do estudo.
A estimativa foi de uma redução no fluxo dos rios da bacia hidrográfica entre 5,9% e 10,2% em um cenários de menores alterações climáticas. Isso levaria a perdas na produção de eletricidade entre 4,5% e 10,3%. Para o cenário de mudanças climáticas mais intensas, as vazões diminuiriam entre 7,8% e 13,6%, provocando uma perda de geração entre 8,8% e 12,5%.
Os resultados indicaram que a relação entre precipitação, vazão dos rios e geração hidrelétrica não é linear e proporcional. Fatores físico, topográficos e de cada região hidrográfica contribuem para amenizar ou acentuar as variações do regime de chuvas. A capacidade dos reservatório de modular as diferenças na vazão do rio também constituiu um fator importante para o tamanho da perda na geração.
Em face de uma potencial perda na geração de energia, os pesquisadores recomendaram que o planejamento energético brasileiro incorpore os riscos climáticos. As mudanças climáticas podem tornar ainda mais desafiador atender ao crescimento futuro da demanda de energia.
Mais informações: Impacts of Climate Change on Hydroelectric Power Generation – A Case Study Focused in the Paranapanema Basin, Brazil
Imagem: Unsplash/ American Public Power Association

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