Projetando o derretimento da Groenlândia

As projeções dos modelos climáticos podem subestimar o derretimento das calotas polares, aponta estudo de um trio de cientistas da Dinamarca. Em geral, os modelos não consideram de forma apropriada a influência da variação da temperatura entre um ano e outro.

De acordo com os cientistas, as calotas polares respondem de forma diferente à flutuação da temperatura. Quando ocorrem períodos de altas temperaturas, elas perdem massa por meio do derretimento do gelo da superfície. A quantidade de massa perdida não é reposta em períodos de baixa temperatura, quando a neve se acumula.

Significa que, em relação ao volume de gelo que acumulam, as calotas polares são mais sensíveis às altas do que às baixas temperaturas. Elas perdem gelo mais rapidamente pelo derretimento causado por altas temperaturas, do que são capazes de acumular durante períodos de baixa temperatura.

Esse mecanismo é importante no estudo da estabilidade das calotas polares. Tanto modelos computacionais quanto dados do clima do passado mostram que as calotas polares, uma vez expostas ao aquecimento global, apresentam um limite crítico de temperatura. Caso ele seja ultrapassado, a calota polar entra em desequilíbrio e o derretimento se torna inevitável.

Mas a abordagem comumente utilizada pela ciência na investigação da estabilidade das calotas polares não leva em consideração os efeitos da variabilidade interanual da temperatura. Algumas pesquisas exploraram a influência da variação da temperatura sobre a estabilidade das calotas polares, e os cientistas dinamarqueses buscaram quantificar essa influência.

Utilizando um modelo computacional e dados da temperatura, eles avaliaram a resposta em longo prazo da calota polar da Groenlândia, onde a perda de massa devido ao aquecimento e derretimento superficial do gelo é significativa. 

O estudo indicou que a flutuação da temperatura entre um ano e outro tem importante interferência sobre a perda de gelo da calota polar. Comparando com as projeções tradicionais, a perda de gelo adicional pela flutuação da temperatura foi calculada em aproximadamente 30 gigatoneladas por ano em um cenário de aquecimento global de  3°C acima dos níveis pré-industriais.

Além disso, os cientistas ressaltam que a flutuação da temperatura também influencia o limite crítico de temperatura da Groenlândia. O limite, estimado em 1,6°C acima dos níveis pré-industriais, estará subestimado caso a interferência das flutuações não for incluída.

Nota do Ciência e Clima: o derretimento das calotas polares é um processo de muito longo prazo - o estudo, por exemplo, simulou o comportamento da calota polar da Groenlândia ao longo de milênios.

Mais informações: Influence of temperature fluctuations on equilibrium ice sheet volume
Imagem: Pixabay

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