O salto do aquecimento global


A velocidade do aumento da temperatura média global entre 2014 e 2016 foi a maior já registrada desde 1900, aponta estudo de um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos. Em somente três anos, a temperatura subiu em mais de 25% em comparação com todo o aquecimento registrado entre 1900 e 2016. Trata-se de mais uma evidência de que o aquecimento global está acelerando.

Durante os recordes de temperatura de 2015 e 2016, o mundo experimentou diversos eventos climáticos extremos, um episódio de intenso derretimento de gelo polar, e o terceiro branqueamento de recifes de coral em escala mundial. Segundo os cientistas, entender os fatores por trás desses recordes no aumento da temperatura é fundamental para as projeções do futuro.

O estudo analisou séries da dados da temperatura média global, produzidos por distintos centros internacionais de pesquisa climática, abrangendo o período entre 1850 e 2016. Também incluíram na análise o monitoramento do calor retido nos oceanos, os registros do nível médio do mar, o ciclo do El Niño e a Oscilação Decadal do Pacífico. Examinaram as projeções de 40 diferentes modelos climáticos, considerando diversos cenários de futuras emissões de gases de efeito estufa.

Entre 1900 e 2016, o estudo indicou que a temperatura média global subiu aproximadamente 1°C acima dos níveis pré-industriais. Mas de 2014 e 2016 o crescimento se deu por meio de um salto sem precedentes, com a temperatura subindo cerca de 0,24°C ao longo dos três anos - ou 25% do que havia subido em mais de um século.

Alguns meses de 2015 e 2016 registraram temperatura média global próxima de 1,5°C, uma das metas do acordo climático de Paris. O estudo sugeriu que o salto resultou de uma combinação da tendência de aquecimento global com o El Niño de 2015-2016, o qual liberou para a atmosfera parte do calor armazenado no oceano Pacífico.

As projeções dos modelos climáticos apontaram que saltos semelhantes da temperatura se tornariam mais frequentes até 2100, em um cenário da altas emissões. As consequência seriam mais severas, com a maior frequência de eventos climáticos extremos.

Os cientistas ressaltam que outros mecanismos, não considerados no estudo, podem levar a crescimentos súbitos na temperatura média global. A redução das emissões de gases de efeito estufa minimizaria a possibilidade dos saltos de temperatura ocorrerem no futuro, diminuindo os riscos associados ao clima.

Fonte: Universidade do Arizona
Mais informações: Big Jump of Record Warm Global Mean Surface Temperature in 2014–2016 Related to Unusually Large Oceanic Heat Releases
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo - gráfico com o aumento da temperatura média global.

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