O fim dos subsídios aos combustíveis fósseis contribui pouco para a mitigação do aquecimento global

Eliminar os subsídios atuais à exploração e uso dos combustíveis fósseis não leva à mitigação significativa do aquecimento global, sugere estudo de pesquisadores espanhóis. O fim dos subsídios traria reduções pequenas das emissões de dióxido de carbono - CO2, mas, ainda assim, constituiria uma política de mitigação valiosa.

A fim de se alcançar a meta do acordo climático de Paris, limitando o aquecimento global a no máximo 2°C acima dos níveis pré-industriais, as emissões de gases de efeito de estufa devem cair o mais rapidamente possível. E, como aponta o estudo, a queima de combustíveis fósseis responde por cerca de 60% das emissões globais.

Combater o aquecimento global implica em uma transformação em curto prazo no sistema energético mundial. Para tanto, há um conjunto de instrumentos regulatórios e econômicos de estímulo. Os pesquisadores analisaram um desses instrumentos - o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis. Em 2015, eles foram estimados em US$ 233 bilhões. 

Mas estudos anteriores indicaram que a redução dos subsídios trazem pequena redução das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, o impacto sobre o preço da energia pode até mesmo levar alguns países a aumentarem suas emissões com o fim dos subsídios. Os pesquisadores decidiram explorar o potencial de redução das emissões, caso se aplicassem as receitas da eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis em energias renováveis, principalmente a solar.

O estudo foi baseado em um modelo de avaliação integrada, incluindo aspectos energéticos, econômicos, as relações com o uso e ocupação dos solos e com o sistema climático. A região de estudo contemplou a União Europeia, e três cenários foram simulados até 2030. No primeiro, nenhuma política seria implementada. Nos demais, os subsídios aos combustíveis fósseis eram eliminados, sendo que somente em um deles se considerou a transferência dos subsídios para a instalação de painéis solares.

Os resultados do modelo sugerem que a eliminação dos subsídios não leva a grandes reduções de emissões. Quando a eliminação dos subsídios foi combinada com o investimento em painéis solares, diminuiu-se a emissão de CO2 entre 1,5 e 3,5% em 2030. A capacidade instalada de energia solar também subiria significativamente.

Ainda assim, a eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis constitui uma política valiosa para o acordo climático de Paris. Os pesquisadores ressaltam que ela não altera o orçamento dos Estados, pois tem custo zero, e pode ser implementada rapidamente. Deverá, contudo, ser complementada com outras políticas de mitigação.

Mais informações: Implications of Switching Fossil Fuel Subsidies to Solar: A Case Study for the European Union
Imagem: figura 1 do estudo - gráfico ilustrando os subsídios aos combustíveis fósseis por tipo de combustível e região

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