Emissões podem subir mais de 30% até 2030

Considerando o compromisso assumido pelos países no acordo climático de Paris, as emissões anuais de gases de efeito estufa deverão alcançar entre 56,8 e 66,5 gigatoneladas de  CO2eq em 2030. Isso representaria um aumento entre 13% e 35% das emissões globais de 2016, segundo estudo de pesquisadores franceses.

A fim de limitar o aquecimento global, os países submeteram no âmbito do acordo climático de Paris as Contribuições Nacionalmente Determinadas. Tratam-se de documentos nos quais cada país apresentou o conjunto de metas e de ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2030. 

De acordo com o estudo, várias iniciativas avaliaram as Contribuições Nacionalmente Determinadas apresentadas pelos países, com o objetivo de projetar as emissões futuras de gases de efeito estufa. Contudo, há diversas limitações nas projeções realizadas. Além da forma e conteúdo variar entre um documento e outro, há grandes limitações em prever fatores importantes, como cenários socioeconômicos ou alterações no uso e ocupação do solo.

Os pesquisadores adotaram uma abordagem diferente, analisando separadamente os compromissos apresentados por 103 países. Para cada um deles, estimaram o nível absoluto de emissões futuras em um cenário de implementação dos compromissos de redução até 2030.

A principal incerteza esteve associada à falta de clareza na definição de metas. Foi o caso, por exemplo, de países que indicaram uma redução na intensidade de carbono da economia, mas sem vínculo com uma projeção de crescimento do produto interno bruto - PIB. As emissões futuras poderiam ser maiores ou menores, a depender do desempenho do PIB nacional.

O estudo calculou que as emissões totalizariam cerca de 61,7 gigatoneladas de CO2eq em 2030. Considerando as incertezas associadas às Contribuições Nacionalmente Determinadas, estimou-se que as emissões deverão ficar na faixa entre 56,8 e 66,5 gigatoneladas de  CO2eq. Equivaleria a um crescimento anual de 1% entre 2010 e 2030.

Também é sugerido que países emergentes, em especial a China e a Índia, passarão a responder por uma parcela maior das emissões globais. De 28% do total anual em 2010, as emissões combinadas da China e da Índia poderiam subir para uma faixa entre 37% e 41% em 2030. A participação dos EUA, da União Européia e outros grandes emissores atuais - entre eles o Brasil - diminuiria de 38% em 2010 para um intervalo de 22% a 25% em 2030.

Para que a meta de 2°C do acordo climático de Paris seja alcançada, o estudo aponta a necessidade de reduzir as emissões até o ano de 2050 entre 40% a 70% abaixo dos níveis de 2010. Uma vez que os compromissos apresentados nas Contribuições Nacionalmente Determinadas implicam aumento de emissões até 2030, a partir daí elas precisariam cair cerca de 4,9% ao longo de duas décadas (ver gráfico no início deste artigo).

A metodologia de elaboração dos compromissos precisa ser padronizada e detalhada, ressaltam os cientistas, e mecanismos de acompanhamento instituídos. Eles alertam para o tamanho do desafio: quanto maiores forem as emissões até 2030, maior será a intensidade da queda das emissões entre 2030 e 2050 para que se possa atingir a meta do acordo de Paris.

Mais informações: Impacts of nationally determined contributions on 2030 global greenhouse gas emissions: uncertainty analysis and distribution of emissions
Imagem: figura 3 do estudo - emissões totais em 2010, estimativas para 2030 e meta de redução até 2050

Comentários