Derretimento na Antártica maior do que o suposto

O derretimento de uma das geleiras do oeste da Antártica está mais avançado do que o estimado anteriormente, indica estudo de cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido. O avanço do derretimento poderá interferir na estabilidade de outra geleira adjacente, com importantes implicações para o aumento do nível do mar.

O oeste da Antártica é considerado o ponto mais instável de toda a calota polar. As duas maiores geleiras da região, chamadas de Thwaites e Pine Island, estão assentadas sobre terrenos rochosos que ficam abaixo do nível do mar. De acordo com o estudo, é nessa região que se observam a maior redução da superfície de gelo e perda de massa da Antártica.

O derretimento na região é dominado pelo seguinte processo. Águas do oceano com temperatura acima do limite de fusão do gelo penetram na base das geleiras. Com isso, o gelo na base derrete. Como o terreno rochoso no qual as geleiras se assentam fica abaixo do nível do mar, a água avança na direção do interior da geleira, resultando em mais derretimento.

Pesquisas anteriores sugerem que o processo de derretimento das geleiras de Thwaites e de Pine Island pelas águas do oceano se tornou instável. Todavia, as pesquisas em geral consideraram as geleiras de forma separada, ignorando como potencialmente elas estão interligadas e interagem uma com a outra.

As duas geleiras estão ligadas por um tributário de gelo - uma pequena geleira que corre por um vale da região de Thwaites para Pine Island. Estimativas anteriores, realizadas a partir de dados de satélite e abrangendo o período entre 1992 e 2011, indicavam que o derretimento na base dessa pequena geleira estava estável.

A ilustração acima mostra o processo de derretimento das geleiras no oeste da Antártica. A água do oceano penetra na base da geleira e provoca o derretimento. Fonte: adaptado de antarcticglaciers.org.


Todavia, observações mais recentes e modelos computacionais sugeriam que a estabilidade local poderia ter acabado. A fim de verificar esse trecho, os cientistas analisaram levantamentos de radar da região coletados nos anos de 2004, 2012 e 2014. Pela leitura do radar, foi possível caracterizar a espessura do gelo e a topografia do terreno rochoso na base das geleiras.

O levantamento de radar apontou que o processo de derretimento avançara aproximadamente 13 quilômetros em direção ao interior da geleira. De acordo com o estudo, a diferença da observação atual com o estimativa anterior pode ter sido causada tanto porque a medição do satélite subestimou o derretimento ou porque o processo se expandiu entre 2011 e 2014.

O resultado mostrou que a água do oceano tem cada vez mais acesso à pequena geleira que interliga Thwaites e de Pine Island. Caso o processo continue a se propagar para o interior do continente, ele poderá atingir uma parte da geleira Thwaites que está atualmente isolada do derretimento. Isso teria o potencial de acelerar o derretimento, com implicações para o aumento do nível do mar.

Fonte: Universidade de Stanford
Mais informações: Ocean access beneath the southwest tributary of Pine Island Glacier, West Antarctica
Imagem:
 figura 1 do estudo - área das geleiras de Thwaites e de Pine Island no oeste da Antártica

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