É inevitável ultrapassar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, aponta artigo de cientista dos Estados Unidos. Considerando as concentrações atmosféricas atuais de dióxido de carbono - CO2 -, o aquecimento deve ser, no mínimo, entre 0,2°C e 0,4°C maior do que a meta.
A proposta de um acordo internacional para limitar o aquecimento, lembra o cientista, baseou-se na intenção de evitar interferências humanas perigosas no sistema climático. Ao longo das negociações internacionais entre os países, ficou estabelecido que evitar interferências perigosas implicaria em limitar do aumento da temperatura média global.
O acordo climático de Paris estabeleceu a meta de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C. Mas os países deveriam se esforçar para que o aumento fosse de no máximo 1,5°C. O cumprimento do acordo exigirá que as emissões anuais de gases de efeito estufa diminuam em curto e médio prazo, até chegarem a virtualmente zero.
Para analisar a viabilidade das metas do acordo, o cientista analisou três cenários de emissões futuras de CO2. No primeiro, as concentrações atmosféricas do gás cairiam para 250 partes por milhão - ppm - no ano 2150. Os outros cenários incluíram estabilização das concentrações atmosféricas em 350 e 450 ppm respectivamente.
Emissões futuras de outros gases de efeito estufa foram realizadas separadamente e, depois, combinadas com cada um dos cenários de CO2. Utilizando um modelo climático, calculou-se a temperatura média global e as mudanças do nível do mar para os três cenários avaliados. Um dos pressupostos da análise foi que o sequestro de carbono pelos ecossistemas terrestres e pelo oceano se manteria inalterado no futuro.
No cenário de maiores emissões de CO2, o modelo indicou que a meta de 2°C seria ultrapassada antes do ano 2100, permanecendo acima da meta até por volta do ano 2250. A meta de 1,5°C seria ultrapassada antes de 2050, subindo adicionais 0,2°C a 0,4°C, dependendo da quantidade de emissões. A temperatura retornaria ao patamar de 1,5°C em 2150 no cenário de menores emissões, ou em 2300.
Se o modelo indicou a possibilidade de estabilizar a temperatura em longo prazo, o mesmo não ocorrer com o nível do mar. As simulações sugeriram que é virtualmente impossível limitar esse aumento para ambas as metas. O crescimento futuro do nível do mar previsto até 2.200 ficou entre cerca de 60 e 80 centímetros, de acordo com o cenário. Entre 2.200 e 2.400, calculou-se um aumento de 20 cm por século.
Apenas em cenários de concentrações atmosféricas de CO2 menores do que 350 ppm mitigariam o aumento do nível do mar. As consequências do aumento do nível do mar projetado pelo estudo seriam muito graves. Nesse sentido, o cientista alerta que as metas do acordo climático de Paris podem não ser eficazes na prevenção de interferências humanas perigosas no sistema climático.
Mais informações: The Paris warming targets: emissions requirements and sea level consequences
Imagem: Unsplash/ Thomas Hafeneth
A proposta de um acordo internacional para limitar o aquecimento, lembra o cientista, baseou-se na intenção de evitar interferências humanas perigosas no sistema climático. Ao longo das negociações internacionais entre os países, ficou estabelecido que evitar interferências perigosas implicaria em limitar do aumento da temperatura média global.
O acordo climático de Paris estabeleceu a meta de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C. Mas os países deveriam se esforçar para que o aumento fosse de no máximo 1,5°C. O cumprimento do acordo exigirá que as emissões anuais de gases de efeito estufa diminuam em curto e médio prazo, até chegarem a virtualmente zero.
Para analisar a viabilidade das metas do acordo, o cientista analisou três cenários de emissões futuras de CO2. No primeiro, as concentrações atmosféricas do gás cairiam para 250 partes por milhão - ppm - no ano 2150. Os outros cenários incluíram estabilização das concentrações atmosféricas em 350 e 450 ppm respectivamente.
Emissões futuras de outros gases de efeito estufa foram realizadas separadamente e, depois, combinadas com cada um dos cenários de CO2. Utilizando um modelo climático, calculou-se a temperatura média global e as mudanças do nível do mar para os três cenários avaliados. Um dos pressupostos da análise foi que o sequestro de carbono pelos ecossistemas terrestres e pelo oceano se manteria inalterado no futuro.
No cenário de maiores emissões de CO2, o modelo indicou que a meta de 2°C seria ultrapassada antes do ano 2100, permanecendo acima da meta até por volta do ano 2250. A meta de 1,5°C seria ultrapassada antes de 2050, subindo adicionais 0,2°C a 0,4°C, dependendo da quantidade de emissões. A temperatura retornaria ao patamar de 1,5°C em 2150 no cenário de menores emissões, ou em 2300.
Se o modelo indicou a possibilidade de estabilizar a temperatura em longo prazo, o mesmo não ocorrer com o nível do mar. As simulações sugeriram que é virtualmente impossível limitar esse aumento para ambas as metas. O crescimento futuro do nível do mar previsto até 2.200 ficou entre cerca de 60 e 80 centímetros, de acordo com o cenário. Entre 2.200 e 2.400, calculou-se um aumento de 20 cm por século.
Apenas em cenários de concentrações atmosféricas de CO2 menores do que 350 ppm mitigariam o aumento do nível do mar. As consequências do aumento do nível do mar projetado pelo estudo seriam muito graves. Nesse sentido, o cientista alerta que as metas do acordo climático de Paris podem não ser eficazes na prevenção de interferências humanas perigosas no sistema climático.
Mais informações: The Paris warming targets: emissions requirements and sea level consequences
Imagem: Unsplash/ Thomas Hafeneth

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