O objetivo do estudo foi investigar se as mudanças climáticas interferiam na regeneração de áreas de florestas após as queimadas. É muito importante compreender a resposta da vegetação aos incêndios, porque eles funcionam como um catalisador de mudanças no ambiente. Uma boa capacidade de recuperação é sinal de baixa vulnerabilidade.
Ao longo de 23 anos, os pesquisadores analisaram dados de aproximadamente 1.500 locais distribuídos em cinco diferentes estados. Eles acompanharam a brotação e desenvolvimento de novas mudas após 52 episódios de incêndios ocorridos durante o estudo.
Os resultados mostraram uma queda dramática na regeneração de áreas a partir do ano 2000. Em geral, reduziu a capacidade das florestas se regenerarem após os incêndios. Elas passaram a depender de um tempo maior para se recuperarem.
Mas em um terço dos locais investigados, a regeneração das florestas cessou completamente. Nenhuma semente crescia após as queimadas. Esses locais estiveram associados à regiões nas quais o clima se tornou mais quente e mais seco neste século. Sob as novas condições climáticas, os incêndios ganharam proporções tão severas que poucas árvores sobreviviam para fornecer sementes.
Além disso, a seca também representou um fator limitante. Um ano com condições mais frias e úmidas auxiliava a vegetação a se recuperar de um incêndio que ocorrera no ano anterior. A disponibilidade de água, porém, reduziu substancialmente em vários pontos durante o estudo. Com isso, anos mais frios e úmidos se tornaram menos frequentes ou simplesmente não foram registrados.
Segundo os pesquisadores, nos locais onde a regeneração parou de acontecer, a paisagem atravessa uma severa alteração. A tendência é de que a densidade de árvores se reduza. As florestas podem até mesmo desaparecer.
O manejo florestal deve se adaptar à nova realidade, recomendam os pesquisadores. Uma estratégia é o plantio de novas espécies de árvores, melhor adaptadas à condições climáticas mais secas e quentes, nos locais afetados pelas queimadas. Ou então realizar incêndios controlados e de menores proporções, a fim de que mais árvores sobrevivam para fornecer sementes.
Fonte: Universidade do Colorado
Imagem: Flickr/ John Carrel

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