É possível prever a variabilidade climática futura?

No início dos anos 2000, ocorreu uma desaceleração da taxa de aumento da temperatura média global, que constitui um dos indicadores do aquecimento global. Esse período ficou popularmente conhecido como hiato ou pausa do aquecimento global.

Segundo artigo de um grupo internacional de cientistas, no domínio científico o hiato motivou o estudo de fenômenos climáticos que modulam as tendências de longo prazo do sistema climático.

Há um conjunto de elementos que interferem na variabilidade do sistema climático, e a desaceleração não pode ser atribuída a somente uma fonte específica. Uma contribuição veio da emissão de aerossóis por erupções vulcânicas moderadas no início dos anos 2000.

Uma vez na atmosfera, os aerossóis refletem a radiação solar e diminuem a quantidade de energia absorvida pelo planeta.

Mas o principal fator de variabilidade da taxa de aquecimento global do sistema climático são os oceanos, afirmaram os cientistas.

Em boa medida, a chamada pausa do aquecimento pode ser associada a mudanças na absorção de calor pelos oceanos e sua redistribuição, gerando variações climáticas plurianuais ou durante décadas.

O grande desafio para a ciência é compreender como as diferentes bacias oceânicas estão conectadas e se influenciam mutuamente.

Entre as variações plurianuais ou com duração de décadas, pode-se citar como exemplo a Oscilação Multidecadal do Atlântico e a Oscilação Decadal do Pacífico. Elas se caracterizam pela sequência de períodos em que a temperatura das águas superficiais da bacia oceânica é em média mais alta ou mais baixa.

Aparentemente, as variações observadas entre as diferentes bacias oceânicas estão interligadas. A atmosfera interage com as essas variações, influenciando-as ou sendo influenciada por elas.

De acordo com o artigo, para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, é importante entender como o aquecimento global irá interagir com as variações climáticas plurianuais ou durante décadas. Assim, será possível compreender melhor a evolução do clima em curto prazo, especialmente na escala regional.

O artigo ressaltou que ainda se verificam obstáculos e desafios bastante significativos, limitando o conhecimento científico detalhado de eventos passados, bem como a realização de previsões a respeito das variabilidades climáticas no futuro. É preciso mais pesquisa para aprofundar o conhecimento sobre os processos físicos envolvidos nas variações plurianuais e ao longo de décadas dos oceanos.

Até lá, as projeções continuam representando cenários possíveis, sem, no entanto, descreverem adequadamente as possíveis flutuações e trajetórias do clima no futuro.

Mais informações: Cassou, Christophe, et al. “Decadal climate variability and predictability: challenges and opportunities.” Bulletin of the American Meteorological Society 99.3 (2018): 479-490.
Imagem: Met Office – Ilustração de um modelo climático

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