Em 2008, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, IPCC na sigla em inglês, elaborou um guia metodológico para o inventariamento das emissões de gases de efeito estufa por reservatórios de usinas hidrelétricas. O guia trazia três metodologias diferentes. A empresa norueguesa Statkraft, maior produtora europeia de energia renovável, decidiu aplicar o guia do IPCC a uma de suas usinas hidrelétricas, localizada na região central da Noruega, e comparar os resultados com medições realizadas no local da quantidade de gases emitidos.
Utilizando o primeiro método, as emissões da usina hidrelétrica seriam comparáveis a de uma usina termelétrica à gás. Aplicando o segundo método do IPCC em conjunto com os dados disponíveis pela Statkraft, estimou-se que as emissões seriam metade do que fora calculado no primeiro método.
Para o terceiro método, uma consultoria especializada executou campanhas de monitoramento das emissões do reservatório. Utilizando os dados da campanha, os resultados apontaram que o reservatório emitiria cerca de 2g CO2eq/kWh, enquanto que as emissões de uma usina térmica à gás são da ordem de 300g CO2eq/kWh.
Outro exemplo é a hidrelétrica de Nam Ngum, no Laos. A usina fica localizada em região de clima tropical, quente e úmido, com a presença de uma densa floresta na área superior da bacia de drenagem. Sob essas condições, a expectativa seria de que o reservatório funcionasse como uma grande fonte de emissões de gases de efeito estufa.
Entretanto, estudos conduzidos em 2011 mostraram que, em vez de fonte de emissões, o reservatório da usina de 40 anos de idade sequestra carbono da atmosfera. Isso se deve porque o monitoramento indicou que o reservatório apresenta pequena produção de metano, que é um potente gás de efeito estufa gerado no processo de decomposição de matéria orgância. Ao mesmo tempo, o fitoplâncton, organismos microscópicos presentes nas águas e que realizam fotossíntese, abosorvia altas taxas de CO2.
A partir desses estudos, a Associação Internacional de Hidreletricidade – IHA, na sigla em inglês – elaborou uma ferramenta para inventariamento de emissões de gases de efeito estufa por reservatórios. Chamada de G-res, a ferramenta inclui no cálculo as emissões que ocorrem naturalmente, bem como aquelas relacionadas a outras atividades humanas.
Além disso, os estudos realizados nos reservatórios das usinas hidrelétricas irão levar o IPCC a revisar seu guia de inventariamento da emissão de gases de efeito estufa.
Fonte: SINTEF
Imagem: Freeimages/José Fernando Carli – Usina de Furnas

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